Estiagem inviabiliza transporte de carga na hidrovia Tietê-Paraná


Em Pederneiras, empresa deve paralisar atividades.
Calado, parte do casco que fica abaixo da água, será reduzido para 1m.
Do G1 Bauru e Marília | Sindicato dos Ferroviários

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A falta de chuva fez o operador nacional do sistema de navegação fluvial diminuir o calado, que é a parte da embarcação que fica em baixo da água, para 1 metro na Hidrovia Tietê-Paraná. Com mais essa redução, que passa a valer a partir desta sexta-feira (29), as empresas que fazem o transporte em Pederneiras devem paralisar as atividades. Os produtos serão levados até Santos por caminhões, o que triplica o valor do frete, essa conta deve sobrar para o consumidor.

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Em Pederneiras, as embarcações usadas para transportar grãos e celulose estão paradas e vazias. Nada chega e nada sai do porto intermodal construído exclusivamente para escoar a produção que passa pela Hidrovia Tiete-Paraná e vai de trem até o porto de Santos. A hidrovia é uma das maiores do país, possui 2400 km de extensão e interliga os estados do Paraná, São Paulo, Goiás, Minas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A estiagem tem feito o nível dos rios Tietê e Paraná baixar, o que afeta a navegação e os reservatórios das hidrelétricas de Ilha Solteira e Três Irmãos. Dessa forma o operador do nacional do sistema e Departamento Hidroviário de São Paulo determinaram que a partir de agora o calado para navegação em alguns pontos do rio seja de no máximo um metro, que normalmente é de três metros. A medida altera a capacidade de transporte dos comboios de 6 mil toneladas de carga, , para pouco mais de 500 toneladas.

Os efeitos dessas restrições já são sentidos pelas empresas que realizam o transporte de cargas pela hidrovia. Uma delas chegou a paralisar totalmente o transporte de grãos e celulose e demitiu cerca de 500 funcionários. “Não é possível continuar com o quadro de funcionários sem saber quando isso (navegação) vai voltar. E nossos clientes também vão ter que demitir, porque sem carga, sem grãos, não há descarga”, explica o engenheiro responsável José Gheller

Quem foi mantido no emprego, teme por mais cortes. “Parando vem o desemprego, muitos colegas já foram e nós corremos o risco também”, afirma o operador Vilmar Farvson. Pela hidrovia foram transportados no ano passado mais de 6 milhões de toneladas de cargas.

Com o transporte por água prejudicado, o escoamento de produtos até Santos está sendo feito por meio de rodovias, o que aumenta o custo. Cada comboio equivale a 200 caminhões a mais nas estradas. Pela hidrovia a tonelada transportada tem custo médio de R$ 45. Pelas rodovias o valor sobe para R$ 170. Quase 300% de aumento.

“Alguém vai pagar o preço lá na ponta e vai ser o consumidor final, porque o distribuidor não vai absorver esses custos e vai repassar isso. A medida só não é mais drástica porque afeta uma região e não é nível Brasil, mas com certeza vai onerar quem depende do escoamento desses produtos”, explica o economista Reinaldo Cafeo. “O transporte hidroviário é o que torna viável as exportações. Os clientes terão duas opções ou exportam com menos lucro ou com prejuízo ou deixar de exportar”, completa Gheller.

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