Trilhos para chegar a Confins


Por Bárbara Ferreira

Confins

O governo de Minas lança nesta quarta um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para a criação de projeto de transporte metropolitano sobre trilhos que ligará o centro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana da capital. O procedimento possibilita uma consulta geral em que todos os interessados – iniciativa privada, centros de pesquisa e universidades – podem apresentar sugestões de modelos que tenham o melhor custo-benefício. Especialistas ouvidos por O TEMPO destacam o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o monotrilho como as melhores opções para o trecho. O PMI terá uma duração de 120 dias, e, ao fim desse prazo, o governo escolherá a melhor proposta de modal e traçado para o trecho.

O especialista em engenharia de transporte e trânsito Márcio Aguiar explica que o trecho não comporta o metrô porque é um ponto de demanda média. “Nesses casos, temos o VLT e o monotrilho. Os dois têm um custo aproximado e suportam a demanda da região. A principal diferença é que o monotrilho é suspenso e não altera o trânsito que já existe”, revela o engenheiro.

Aguiar acredita que, nesse caso, o monotrilho traria mais benefícios, já que é suspenso e sua capacidade pode ser alterada de acordo com a demanda. “Nesse tipo de transporte, o número de vagões pode variar, alterando sua capacidade. Podemos trabalhar em Belo Horizonte com carregamento menor. O monotrilho é um sistema igual ao trem. Cada módulo pode carregar quase mil passageiros”, avaliou.

Os custos, segundo ele, variam bastante. Para a instalação do monotrilho, seriam gastos aproximadamente R$150 milhões por quilômetro, enquanto o do VLT – que é mais barato – ficaria em R$ 100 milhões. No quesito rapidez, os dois modelos estão muito próximos, chegando a uma velocidade média de 80 km/h.

Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em planejamento de transporte urbano Dimas Alberto Gazzola, os dois modelos são opções viáveis, mas o VLT é mais barato e, como não existem tantas ocupações urbanas no trecho, é uma opção melhor que o monotrilho. “O monotrilho é um exagero para a região. É uma distância muito grande para uma demanda relativamente pequena”, afirma.

Uma sugestão do professor Marcio Aguiar é montar uma linha de monotrilho que saia da Lagoinha – onde pode convergir com o BRT e o metrô da capital – e que passe por cima do canteiro central da avenida Pedro II, passando pela Pampulha e indo até Confins.

Lançamento

Evento. O Projeto de Manifestação de Interesse (PMI) para o transporte será lançado pelo governador Alberto Pinto Coelho, nesta quarta, às 11h, no Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa.

Outros projetos

Contagem/Betim. Os levantamentos para a implantação de um transporte de passageiros sobre trilhos entre Betim e Contagem, na região metropolitana da capital, estão previstos para começar ainda neste ano. No último sábado, a empresa Trem Metropolitano de Belo Horizonte (Metrominas), ligada à Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), publicou aviso de licitação para a contratação de estudos de engenharia para fazer o projeto executivo.

Linha. A ideia é usar uma linha ferroviária que já existe entre as duas cidades e que liga os bairros Jardim das Alterosas, em Betim, e Eldorado, em Contagem. A obra faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, destinado à mobilidade urbana.

Trem. Existe também o projeto Trem (Transporte Sobre Trilhos Metropolitano), que prevê a reativação ferroviária e a operação do serviço de transporte de passageiros em parte dos 500 km de trilhos existentes na região metropolitana e no entorno.

Lotes. O projeto Trem é dividido em três lotes. O primeiro liga as cidades de Divinópolis, Betim, Belo Horizonte e Sete Lagoas. Já o segundo passa por Belo Horizonte, Brumadinho, São Sebastião das Águas Claras (Nova Lima) e Eldorado. O terceiro abrange Belo Horizonte, Nova Lima, Conselheiro Lafaiete e Ouro Preto.

Andamento. O projeto foi apresentado em 2011 e é de responsabilidade da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana. A reportagem de O TEMPO tentou entrar em contato com a agência para saber mais detalhes sobre o andamento do estudo, mas não conseguiu falar com os responsáveis.

Veículos suspensos são opção

O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dimas Gazzola afirma que, se a demanda for exclusivamente para usuários do aeroporto, outra opção seria um sistema com carros suspensos sobre trilhos.

Segundo ele, cada veículo suportaria seis passageiros e passaria pelas estações a cada um minuto. O professor explica que esse modelo já é usado em algumas cidades da Europa, mas ressalta que só seria viável caso fosse de uso exclusivo de passageiros do aeroporto.

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Um comentário sobre “Trilhos para chegar a Confins

  1. SE FOR SÓ PARA O AEROPORTO O AEROMÓVEL, COM PARADAS PARA CONEXÕES COM O METRO,TREM E BRT NO CENTRO, MAIS NÃO EXCLUI OUTROS MODAIS PARA PEGAR OUTRAS CIDADES, CONVERGINDO TUDO PARA TODOS OS MODAIS, DISPONÍVEIS AO USUÁRIO…PENSAR PROFESSORES(AS)

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