Passageiros criticam valor de maria-fumaça que passará por ampliação


Maria FumaçaA maria-fumaça que resgata a história da ferrovia em um trajeto turístico entre as cidades de Campinas (SP) e Jaguariúna (SP) há mais de 30 anos em um trecho desativado da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro é alvo de críticas dos passageiros. A locomotiva a vapor, que passará por um projeto de extensão anunciado pela Prefeitura e que custurá R$ 5 milhões, tem tarifa considerada alta pelos usuários do serviço, já que, para percorrer um trecho de 48 km, o visitante precisa pagar uma tarifa de R$ 80.

Para o empresário Marcelo Matheus, de 35 anos, a tarifa poderia ser mais baixa. “Deveria ser mais barato. Mais gente teria acesso”, afirma. A assistente administrativa Bruna Silva, de 21 anos, também concorda. “É salgado o preço da viagem”, destaca.

“A tarifa não é acessível para todos, mas como é para manter [a maria-fumaça], a gente acaba pagando. O governo deveria ajudar”, ressalta o servidor federal Emílio Pereira Barbosa Neto, de 57 anos. Mesma opinião tem o estudante de pós-graduação Sérgio Augusto, de 26 anos. “Se tivesse subsídio para baixar seria legal, pois vale a pena manter a história. Aqui [Estação Anhumas] é um cantinho de volta ao passado”, relembra.

Para o diretor administrativo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Hélio Gazetta Filho, se comparado a outros circuitos turísticos similares o valor não é tão alto para uma viagem de 3h30. “Se pensar em outros passeios, está barato, pois é bem longo. Não temos nenhum subsídio”, ressalta.

Preço por quilômetro
Um passeio de maria-fumaça em Campos do Jordão por um trecho de 10 km custa R$ 17 (ida e volta), segundo consulta feita pelo G1, o que representa R$ 1,70 por km no trajeto mantido pelo Governo do Estado.

Outro trecho consultado foi entre Curitiba e Morretes no Paraná, administrado por uma empresa particular, que percorre 220 km (ida e volta) e tem tarifa de R$ 122. Nesse trajeto, o km percorrido sai por R$ 1,80. Já a maria-fumaça de Campinas tem custo de R$ 1,66, valor ligeiramente abaixo dos demais.

Ainda de acordo com o diretor, só seria possível reduzir os custos da associação, que tem 17 locomotivas, se houvesse um subsídio. “Estamos no limite. Por final de semana são cerca de 800 pessoas nas férias. O resto do ano diminui. A gente tenta sobreviver, mas estamos limitados. Se tivesse um subsídio seria menor o preço e ia ter mais público”, afirma Filho. Segundo a Prefeitura, por ano, passam pelo local 60 mil passageiros.

Sobre as obras de ampliação do trecho divulgada pela administração municipal, a associação disse que toda a ajuda é bem-vinda. “Hoje a Prefeitura entende que o trem tem potencial turístico para a cidade”, ressalta.

Investimentos
A Prefeitura de Campinas divulgou o novo projeto de extensão da maria-fumaça no dia 23 de julho após três anos. A ampliação foi anunciada inicialmente em 2010 e deveria ter sido concluída no primeiro semestre de 2011, mas os trabalhos foram interrompidos. Apesar do gasto de quase R$ 1 milhão, a obra está parada sem que a nova estação na Praça Arautos da Paz, no bairro Taquaral, e os trilhos começassem a ser construídos.

De acordo com a Prefeitura, a administração está investindo recursos apenas na extensão de 2 km, não na manutenção da área existente, pois isso seria responsabilidade da ABPF. Segundo a diretora de Turismo, Alexandra Caprioli, nenhum recurso foi aplicado na maria-fumaça antes porque a locomotiva a vapor pertence a entidade. “Tudo foi doado para o fundador da associação. Eles não exploram financeiramente o trem. Por isso, estamos aumentando o trecho querendo gerar um fluxo maior de turistas”, explica.

“O prolongamento é de interesse da própria cidade. É um equipamento que tem poder de atração grande por causa das novelas e filmes”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo, Samuel Rossilho, que diz que a Prefeitura quer se destacar também no turismo de lazer e não apenas no de negócios.

De acordo com o secretário, a obra de ampliação vai custar R$ 5 milhões. “Nós tivemos um problema financeiro, pois o projeto necessitava de uma verba maior do que a programada. A ideia é transformar em atração o trem. Vai ter uma estação de época [no trecho novo], terá área coberta e restaurante. Será uma área de lazer de 26 mil metros”, destaca Rossilho.

Sobre o valor da tarifa, o secretário disse que a ABPF tem liberdade para decidir. “É questão de autonomia da associação. Quanto mais usuários, mais condições de até baratear futuramente. Com a ampliação devemos atrair mais turistas”, prevê.

História
Em 1979, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) recebeu em regime de comodato o trecho e material rodante (locomotivas) e passou o usar o trecho da antiga Mogiana para fins turísticos. Na década de 80, a entidade deu início ao passeio, que sai de Anhumas e passa por Pedro Américo, Tanquinho, Desembargador Furtado, Carlos Gomes e vai até Jaguariúna.

O trecho e a maria-fumaça já foram utilizados várias vezes como cenário de novelas de época como “Terra Nostra”, “Sinhá Moça” e “Cabloca”, entre outras.

Segundo o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc), em 2003 houve o tombamento das edificações (estruturas) que compõem a ferrovia histórica por onde passa a maria-fumaça. Já as passagens inferiores de nível e o material rodante, que inclui duas locomotivas fabricadas em 1948, da antiga Mogiana e um carro de 1953, que pertenceu a Companhia Paulista de Estradas de Ferro passam por processo de estudo de tombamento.

Paulinia news

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