No Recife, mulheres protestam contra assédio no transporte público


Maria de Fátima coordena o MML (Foto: Moema França/G1)

Maria de Fátima coordena o MML (Foto: Moema França/G1)

Elas distribuem alfinetes e pregam: ‘Não me ‘encoxa’ que eu não te furo!’ Manifestantes também fizeram referência a assassinato de professora.

É numa tentativa de combater o assédio no transporte público que o Movimento Mulheres em Luta de Pernambuco (MML) distribuiu panfletos e alfinetes na estação central do Metrô do Recife na manhã desta quinta-feira (7). Com os dizeres “Não me ‘encoxa’ que eu não te furo!”, o alfinete representa a defesa das mulheres contra o assédio feito por homens dentro dos ônibus e do metrô. A campanha, intitulada “#SomosTodasSandra”, em referência à professora Sandra Lúcia Fernandes que foi assassinada junto com o filho – e o suspeito do crime é o companheiro -, também pede pelo fim da violência contra a mulher.

Segundo o MML, a ideia é distribuir os alfinetes para que as mulheres entendam que podem se fortalecer e se colocarem contra este tipo de violência no transporte público. “Os ônibus lotados são um pretexto para os homens ficarem perto, passarem a mão. Quando a mulher reclama, ela é taxada como doida, como provocadora daquela situação, mas a culpa é do homem. É preciso que haja uma reeducação”, aponta a coordenadora executiva do MML, Maria de Fátima Oliveira.

A comerciante Valdélia Bezerra já ouviu muitas histórias de parentes e amigas que afirmam ter sofrido assédio dentro de ônibus e metrô. “Eu nunca passei por isso, mas gente da minha família já. Ninguém quer ser assediada, seja com palavras ou toques, não quando você não deu intimidade para isso. Mesmo quando tem intimidade e você não quer, é desconfortável, tem que parar”, conta.

A opinião é compartilhada pela auxiliar de administração Maria das Graças, que diz já ter dado cotoveladas em homens que provocam o assédio. “As cadeiras do metrô desses novos vagões são mais apertadas, quando senta homem perto da gente eles abrem as pernas, colocam os braços que ficam tocando em você, as vezes até no seu seio. Já vi uma senhora reclamar de um homem, ela estava com razão porque ele tinha invadido muito o espaço dela. Ele xingou ela, falou palavrão”, critica Maria das Graças.

Homens também aderiram à campanha (Foto: Moema França/G1)

Homens também aderiram à campanha (Foto: Moema França/G1)

O fato da culpa recair sobre as mulheres é uma das maiores preocupações do MML. A ideia do vagão rosa, que destina vagões do metrô para serem usados exclusivamente por mulheres no horário de pico em São Paulo, pode se mostrar uma alternativa, mas não vai encerrar o problema. “Há controvérsias, tem um grupo que acredita nisso como alternativo e outro que não acha que vai resolver. Pelo contrário, pode segregar as mulheres, isolando elas. Como sou professora, acredito que é preciso haver uma educação aos homens para que eles entendam que assédio é um desrespeito. Mas na hora do pico em São Paulo, é outra realidade. O problema vai ser minimizado enquanto não tenha uma solução efetiva”, aponta Maria de Fátima Oliveira.

Já a integrante do MML Íris Pontes defende a aplicação da medida. “Nós somos a favor do vagão rosa porque vai minimizar o problema e fazer com que as mulheres tenham mais condições de usar o transporte público com segurança”, alega.

No dia 17 deste mês está programado um ato para marcar os seis meses do assassinato da professora Sandra Lúcia Fernandes, que foi morta junto com o filho. O MML mantém um advogado que acompanha o crime e ainda realiza pesquisas para fazer balanços de quantas mulheres são assassinadas por dia no Recife. Ela morreu em fevereiro deste ano, mas do começo de 2014 até março, 44 mulheres haviam sido assassinadas no Recife por motivações machistas, de acordo com os dados do MML.

“O que tem crescido é que a família da mulher também está sendo atingida e assassinada. O motivo é que o homem se vê como dominante, quer ser obedecido”, explica Maria de Fátima. “Temos aquelas expressões ‘Maria de José’, ‘Maria de João’, que dizem que não temos identidade e que somos uma propriedade”, acrescenta a diretora do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais de Pernambuco (Sintufepe), Erivana Cavalcanti.

Do G1 PE

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s