SuperVia tem recorde de multas e queixas entre os transportes de massa


Rio – Por trás de um sistema ferroviário que transporta em média 640 mil passageiros por dia, uma coleção de multas contempla o cenário da SuperVia. Com o total de R$ 6,5 milhões em infrações, a concessionária lidera o ranking de penalidades na Agetransp, a agência reguladora dos transportes estaduais. Foram 34 multas aplicadas, nos últimos 15 anos, contra 13 na CCR Barcas e seis na MetrôRio.

Supervia

As notificações refletem nos trilhos as reclamações dos passageiros, que, no mês passado, deram nota 5,8 para o serviço oferecido pela SuperVia, como revela a penúltima reportagem da série do DIA sobre os trens. Além de ser campeão em quantidade de multas na ouvidoria da Agetransp, o sistema ferroviário lidera no número de queixas dos usuários.

De janeiro a julho deste ano, 506 reclamações foram registradas, a maioria sobre a falta de acessibilidade nas estações, como a ausência de escadas rolantes e elevadores. Nos boletins de ocorrência instaurados pela agência até agora, que tratam de falhas mecânicas, os trens superam a marca dos outros transportes.

Até o dia 6 de agosto, a SuperVia fora notificada 45 vezes. As barcas receberam 11 advertências e o metrô, nove. “O trem é alvo de mais ocorrências pela extensão do transporte e por ter idade mais avançada. A linha férrea também é muito exposta, e os equipamentos ainda são antigos e suscetíveis a avarias”, explica José Luiz Teixeira, gerente da Câmara Técnica de Transportes da Agetransp.

Cada boletim de ocorrência é analisado por uma comissão de conselheiros da agência reguladora. Nas notificações contra os trens, os problemas mais recorrentes são defeitos na parte elétrica e na rede aérea. Já as falhas na sinalização e na via permanente aparecem com menos frequência. “Julgamos se, em cada ocorrência, a SuperVia poderia ter previsto o problema. A multa é calculada em cima da responsabilidade da concessionária em relação a cada avaria”, detalha José Luiz.

Da coleção de mais de 30 multas aplicadas contra a SuperVia, cinco estão na Dívida Ativa do Estado por falta de pagamento. A maior delas, no valor de R$ 1,2 milhão, sobre uma taxa de regulação emitida pela Agetransp, está correndo na Justiça. As outras quatro cobranças, no total de R$ 1,4 milhão, ainda são consideradas amigáveis, devido ao comprometimento de pagamento.

O Procon-RJ também tem registros de dívidas em aberto com a SuperVia. São mais R$ 487 mil em quatro multas — originadas, sobretudo, por problemas de infraestrutura e acessibilidade nas estações — emitidas após a operação de fiscalização Via Crúcis, em 2013.

No primeiro semestre deste ano, a concessionária já alcançou a mesma quantidade de falhas registradas durante todo o ano passado. De janeiro a julho de 2014, 600 ocorrências foram detectadas pela SuperVia. Uma delas ocorreu no início do mês passado, quando uma composição que seguia para Santa Cruz descarrilou 200 metros após sair da Central do Brasil.

“Eu e mais de 500 pessoas tivemos que andar nos trilhos. Enquanto andávamos, os trens continuavam a circular. Foi uma das piores sensações de insegurança que já senti na minha vida”, relembra o administrador Leonardo Campos, de 58 anos, que viajava no trem avariado.

As panes apresentadas pelo sistema ferroviário, no entanto, já foram maiores em 2010, quando a concessionária identificou 1.611 falhas, o recorde nos últimos quatro anos. “A expectativa é de que os problemas sejam reduzidos drasticamente com a modernização dos trens”, opina o gerente da Câmara Técnica de Transportes da Agetransp.

Em pesquisa de satisfação, usuários dão nota 5,8 a trens

Se o sistema ferroviário fosse um teste educacional, a SuperVia passaria raspando com nota 5,8. A média foi alcançada no mês passado, após uma pesquisa de satisfação realizada pela concessionária com os passageiros. Das queixas, a lotação e a falta de pontualidade são recordistas. Já as melhorias citadas pelos usuários são a temperatura interna do trem, por conta do ar-condicionado, e o sistema de aúdio nas estações .

Dos índices de fiscalização realizados mensalmente pela Agetransp, a pontualidade, como criticam os passageiros, deixa a desejar em alguns ramais. Em abril, a linha de Japeri apresentou o pior desempenho do sistema, com 87% de cumprimento do tempo previsto para as viagens. Belford Roxo ficou em segundo lugar, com 89%.

“Já cheguei a esperar mais de 15 minutos em Madureira, na hora do rush, porque as pessoas queriam entrar no trem já lotado”, declara o operário Francisco das Chagas, 53, que há 35 anos viaja de Belford Roxo à Central. “É uma saga diária. Chego na estação às 6h20 e só consigo um lugar sentado lá pelas 7h40”, completa. Os atrasos nas viagens estiveram presentes em 37% do total das partidas em abril. A maioria (66%) representou uma demora de cinco minutos, o que é permitido pela Agetransp. Atrasos acima de 30 minutos, que são passíveis de multa, não tiveram registros neste ano.

Jornal O Dia/RJ

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