Incêndios no trajeto turístico da maria-fumaça preocupam vizinhos


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Fagulhas que saem pela chaminé atingem fazendas e queimam pastagens.
Até uma reserva tombada patrimônio histórico teria sido atingida pelo fogo.

Do G1 Campinas e Região

Os incêndios no trajeto turístico da maria-fumaça que faz um passeio entre Campinas (SP) e Jaguariúna (SP) preocupam os donos de propriedades que ficam às margens dos trilhos. As fagulhas, que saem pela chaminé do trem, atingem as fazendas, queimando as pastagens. Até uma reserva tombada patrimônio histórico teria sido atingida pelo fogo.

De acordo com o dono de fazenda Eduardo Novaes, o incêndio na sua propriedade teria começado por causa da passagem do trem a vapor. “Ela joga brasa, que queima o capim e vai se alastrando”, explica. Uma área de preservação permanente, que fica ao lado, também foi queimada.

Novaes destaca que fez boletim de ocorrência, mas que não é a primeira vez. Ele conta que desde 1994 vários documentos foram feitos na polícia sobre os incêndios na região. Em 2011, houve até pedido de perícia ao Instituto de Criminalística. “Eles constataram o fogo como sendo da maria-fumaça”, pontua.

Edgard Gimenes é dono de um restaurante próximo do trecho e também diz que os focos de incêndio sempre começam depois da passagem da maria-fumaça. “Quase todo fim de semana a gente tem queimada aqui”, relembra.

Queima de lenha
O trem é movido pela queima de lenha, que gera uma brasa, chamada de fagulha. Em cada locomotiva, existe uma peneira que funciona como um filtro, para conter a saída delas, mas mesmo assim, parte acaba escapando pela chaminé.

O gerente da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Vanderlei da Silva, diz que sempre que um foco começa é feito um trabalho para conter o fogo e cita que há uma locomotiva bombeiro, que fica em outra estação, sempre à disposição para carregar água e combater o incêndio. “Ela fica em Carlos Gomes, fica a menos de cinco minutos das fazendas reclamantes. Eles também participam, mas não somos ausentes”, afirma.

Silva diz que há três anos disponibiliza uma locomotiva movida à diesel para a maioria dos passeios. Ele garante também que uma nova estará disponível daqui um ano para o período de estiagem. “O passeio é cultura, é para as crianças, a geração que vai vir”, justifica.

“A gente não quer que seja impedido o trânsito da maria-fumaça. Só que cuide para que não ocorram mais esses incidentes de queimadas”, explica o administrador de uma fazenda Eduardo Santos.

No entanto, Silva negou que o incêndio ocorrido no final de semana, citado por Novaes, tenha sido provocado pela maria-fumaça. O Jornal da EPTV solicitou uma resposta da Polícia Ambiental sobre o caso, mas até a publicação da reportagem, não obteve retorno.

Já o Ministério Público informou que também pode receber denúncias dos moradores para investigar o problema.

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