Metrô de SP, 40 anos: Comemorar o quê?


Por Marcelo Santos | Via Trolebus.

metro_sp_lotado #noticiaferroviariaEm 14/09/1974 a primeira viagem de Metrô em SP (e do Brasil) aconteceu entre as estações Jabaquara e Vila Mariana, da então chamada Linha Norte-Sul, mais tarde recebendo o nome de Linha 1-Azul. Antes de continuar o texto, é preciso reforçar algumas coisas:

– que o Via Trolebus não tem qualquer ligação com partidos políticos ou com este ou aquele candidato;
– que o Via Trolebus está visando à melhoria sempre do padrão de qualidade do serviço prestado não só pelo Metrô, mas pela CPTM, EMTU e SpTrans;
– a operação do Metrô atualmente faz MILAGRE ao entregar 99,9% das viagens aos usuários.

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Mas o blog sabe que, o Metrô de SP e suas obras e expansões (assim como o Metrô do Rio, Brasília e a piada que é o Metrô de Salvador) são ferramentas políticas usadas de forma descarada pelo candidato que está no poder tentando a reeleição ou por aquele candidato que promete fazer mais do que aquele que está no governo atual. Além disso, é preciso pensar: em 40 anos, 10 presidentes e 10 governadores foram eleitos. E estes 20 administradores do dinheiro público não fizeram o Metrô de SP expandir da forma que a cidade expandiu e precisou. Em um exemplo grosseiro, se São Paulo cresceu 10 vezes em 40 anos, o Metrô expandiu sua malha 1,5 vezes ou até menos. Este blogueiro está em SP há três anos e algumas coisas ele pode perceber:

• O Metrô de SP não cumpre prazos, é um padrão do governo brasileiro como um todo. Seja para modernizar as frotas (A, C, D e E), seja na entrega do novo sistema de sinalização das linhas, seja na instalação das portas de plataforma. Ou em qualquer
outra ação administrativa/operacional. E só sabe dar desculpas quando é perguntado dos prazos que estão sempre estourados.

• O Metrô de SP não se preocupa em dar lucro, tanto que deu prejuízo em 2013 e continua dando em 2014. E isso nada tem a ver com o preço congelado da tarifa, já que em várias análises matemáticas publicadas pela mídia, o valor poderia até ser mais baixo. O que a gestão pode fazer, sem enxugar quadro de funcionários para que o Metrô possa dar lucro?

• O Metrô de SP não conhece e não faz questão de conhecer melhor o seu usuário. Apenas o classifica como “sem educação” e “sem bom senso” e o culpa por boa parte dos problemas operacionais cotidianos. Não que a gestão do Metrô está de todo errada, mas culpar apenas o usuário e não rever procedimentos e atitudes operacionais não é muito proativo. Além disso, não existe qualquer estímulo com campanhas de cidadania que consigam realmente se conectar ao usuário para que este mude seus comportamentos. Isso é preciso mudar e logo!

• O Metrô de SP não se preocupa em conter o comércio irregular e os pedintes nos carros. Segundo recente reportagem da CBN, um dos ambulantes entrevistados na Linha 1-Azul afirmou que consegue um salário de R$ 2mil/mês vendendo balas e chicletes. Quem utiliza as passarelas da estação Tatuapé ou da estação Barra Funda irão ver regularmente até caixas de isopor vendendo refrigerante gelado dentre outras iguarias de procedência duvidosa.

• É notória a falta de preocupação em oferecer conforto ao usuário. Podemos tirar tal conclusão pelas freadas bruscas que a frota comprada da espanhola CAF dá (Frota H), trens estes que são novos e ainda estão na garantia do fabricante, ou seja, que em teoria, o acerto de tal problema não teria custo algum para o Metrô, assim como os diversos problemas noticiados pelo Via Trolebus e outras mídias com os trens da Frota K, onde dois carros já pegaram fogo, já abriram portas no local errado. Isso sem falar na falta de acerto na temperatura interna dos trens. Seja sauna ou polar, ambos estão errados. E recentemente, portas e janelas vandalizadas estão em número cada vez maior, mostrando que as câmeras dentro dos carros do Metrô são “de enfeite”.

• E para terminar esta pequena lista, o Metrô de SP está totalmente à mercê do Sindicato dos Metroviários. Os líderes sindicalistas colocam a população de SP como refém durante as greves. E mesmo que as necessidades trabalhistas estejam previstas e asseguradas em nossa Constituição, a mesma carta magna informa que os direitos da população devem ser preservados e os metroviários “esquecem-se disso” em toda greve. E ainda querem contar com o apoio da população. Piada pronta.

Mesmo assim, o Metrô de SP é parte da cidade de SP. E mesmo que o cidadão tenha uma relação de amor e ódio com o Metrô, SP precisa do Metrô e vice-versa. Este post não tem a intenção de apenas “falar mal e a verdade” das questões do Metrô. É importante ressaltar que, atitudes como entrar nas redes sociais e estar pronto para ler qualquer tipo de comentário vindo do usuário é uma atitude corajosa. Assim como criar um sistema de Denúncia, utilizando o SMS. Mas o que pode ser melhorado?

• Que o usuário seja avisado antes de passar na catraca se há ou não algum problema operacional (causado pelo Metrô ou pelo usuário) na linha que ele vai utilizar. O usuário assim poderá ter a opção de usar ou não o Metrô ou apenas aguardar a
normalização.

• Durante uma paralisação dentro de um trem entre as estações, o usuário precisa saber o que está acontecendo e qual é o tempo de restabelecimento do serviço. Ou seja, se o carro ficará muito ou pouco tempo parado entre estações. Existem pessoas que podem até passar mal, mesmo que o ar-condicionado esteja funcionando.

• O Metrô afirma que a parceria com a operadora de telefone celular vem apresentando problemas no recebimento e envio do SMS Denúncia. O que falta ao Metrô de procurar outras operadoras e oferecer ao usuário outros números de diferentes operadoras para que o problema possa ser amenizado? (Além, claro, de cobrar a operadora atual na melhoria do serviço prestado, já que tal serviço é pago pelo Metrô).

• Que os embarques nas estações mais cheias em horário de pico tenham um controle mais assertivo e proativo por parte dos seguranças. Que o usuário não seja um fator tão preponderante para atrasar a viagem e o intervalo das linhas, principalmente nas estações de conexão entre linhas.

Ou seja, o Metro precisa evoluir. Precisa ousar. E tentar coisas novas, sem medo de errar ou de dar errado. Como se diz o ditado: “é errando que se aprende”. E nem sempre é preciso dizer que o lema do Metrô é: “em time que está ganhando não se muda”. Será mesmo? Será que gente nova, com pensamentos novos não iria ajudar ao Metrô a dar lucro, a ser mais assertivo com os seus usuários e melhorar a operação? Mesmo assim, PARABENS, METRÔ!

Marcelo Santos: Analista de Recursos Humanos, carioca, apaixonado por São Paulo, preocupado com mobilidade e ativista.

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