Tombamento dos bondes da Lagoa em Campinas é avaliado


Condepacc iniciou processo estudo; circularam na região central da cidade entre 1910 e 1958

Caravela Taquaral - #embarquenessetrem

Os três bondes da Lagoa do Taquaral, em Campinas (SP), entraram em processo de tombamento no Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) e, se aprovado, se tornarão patrimônio da cidade como vestígios da história e da indústria do transporte. Eles são remanescentes de uma frota que circulou em Campinas até 1968 e atualmente estão parados, à espera da conclusão da recuperação da caravela, o que deve ocorrer, segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, em 15 dias.

Por causa da movimentação de guindastes usados nas obras da caravela, a rede de energia precisou ser seccionada, e interrompeu a circulação dos bondes. O quarto bonde da Lagoa, que teve o maquinário roubado, permanece com a carcaça em cima de cavaletes. Há um inquérito em andamento para investigar responsabilidades pelo sumiço do equipamento. O que se sabe até agora é que a empresa Empretec Indústria e Comércio Ltda. foi contratada em 2010 para fazer a reforma do bonde, mas teria terceirizado o serviço.

As apurações feitas apontaram que ele teria sido levado para uma oficina no Parque Oziel e nunca mais devolvido à Administração. Algumas incursões pelo Parque Oziel foram realizadas, mas o maquinário não foi localizado.

Tentativa de recuperação

Paulella disse nesta terça-feira (23) que estão sendo feitos contatos para tentar adquirir dois motores e um chassis para reequipar esse bonde e colocá-lo em circulação em 2015. Já os outros três passaram por recuperação mecânica para deixá-los em condições de circular, mas terão ainda que ser restaurados – uma equipe está fazendo os estudos para a recuperação desses equipamentos.

Os bondes começaram a funcionar em Campinas há 104 anos, como ícones da modernidade e do progresso no País. Eles fazem parte da história do município e foram além de um sistema de transporte coletivo. Tudo começou com a inauguração da Companhia Campineira de Carris de Ferro, em 1878 e, um ano depois, em 25 de setembro de 1879, a cidade passou a ter o serviço de bondes de tração animal, levado por mulas.

Itinerário

Na ocasião, estes bondes levavam os passageiros da ferrovia na Praça da Estação até a Praça José Bonifácio, no Largo da Catedral Metropolitana, através da Rua 13 de Maio. A revolução nos bondes de Campinas começou em 1910, quando foi criada uma nova empresa, a Companhia Campineira de Tracção, Luz e Força (CCTLF) para fazer um sistema elétrico de bondes. Em 1911 encomendou oito novos bondes com dez fileiras de bancos e iniciou a construção de uma nova linha.

Mas com a expansão do sistema viário e da popularização do automóvel, os bondes se aposentaram. O último passou na noite da sexta-feira do dia 24 de maio de 1968. O bonde elétrico funcionou por 56 anos. No dia 5 de novembro de 1972 a Prefeitura inaugurou uma linha interna circular com quatro bondes e pouco mais de 3 km ao redor da Lagoa do Taquaral.

Foto: César Rodrigues/AAN | Correio Popular

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