Trem de Jundiaí a SP é opção para campineiros


Mais barata, alternativa ferroviária também pode evitar congestionamentos

Estação de Jundiaí #noticiaferroviaria

A linha de trem que opera desde 1867 e liga Jundiaí a São Paulo funciona como opção para quem precisa chegar à Capital, tem tempo e quer se livrar do risco de congestionamentos e do trânsito caótico na maior cidade do Brasil. A alternativa é a única via férrea do Interior, enquanto a proposta do trem metropolitano não sai do papel. Projetado para chegar até Campinas em 2020, com ponto final em Americana, o trem regional ainda não teve o edital lançado, devido a um impasse com o governo federal. Enquanto isso, a viagem ferroviária entre Jundiaí e a Capital é mais barata, leva 90 minutos, passa por 18 estações e tem passagem a R$ 3,00. Os trens partem da estação de 15 em 15 minutos. No percurso total, de Campinas à Capital, a viagem de carro pode ficar até três vezes mais cara.

Quem decide pela viagem na linha 7 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), chamada de “Rubi”, deve ir de carro ou de ônibus até a estação de Jundiaí, além de ter um pouco de paciência e disposição. Lá é possível deixar o carro em estacionamentos gratuitos no entorno e embarcar sem o estresse de dirigir em um trânsito complicado na rodovia e na chegada à Capital.

No final das contas, fica mais barato usar o trem. Contando os valores da passagem mais pedágio e o combustível gasto entre Campinas e Jundiaí, o custo chega a R$ 25,70 (R$ 7,70 de pedágio, R$ 15,00 de combustível e R$ 3,00 da passagem de trem). Se for de carro, o motorista gasta cerca de R$ 75,00: R$ 30,00 de gasolina (em um carro popular que faz 10 km com 1 litro), mais R$ 14,40 de pedágio e mais o valor do estacionamento que terá que utilizar para deixar o carro em São Paulo, raramente inferior a R$ 15,00. Sem falar no desgaste do veículo.

Trem Campinas-Jundiaí

Atualmente, o perfil do usuário do trem é o de trabalhadores que exercem suas funções na Capital, mas moram no Interior. Mas há também jovens e executivos que usam ternos entre os passageiros. São 470 mil passageiros, em média, por dia, que utilizam a linha.

A reportagem do Correio Popular fez a viagem na última quarta-feira. Comprou um bilhete para conhecer o percurso da linha 7 – Rubi, com 60,5 quilômetros de extensão. É a linha mais longa de São Paulo. Ao chegar à Capital paulista, o passageiro tem integração gratuita com as linhas azul, amarela e vermelha do metrô.

O trem segue quase vazio até a estação Francisco Morato, onde é necessário transferir para outro veículo. A reportagem levou menos de meia hora de viagem, em um trem sem ar condicionado. Até lá, nas janelas — fechadas e arranhadas —, a paisagem é composta por árvores, montanhas e alguns polos industriais. A partir de Baltazar Fidélis, a estação seguinte à transferência, o cenário muda e as cidades e distritos de São Paulo se aglomeram. As casas, comércios e comunidades carentes preenchem as janelas, também fechadas, mas dessa vez por causa do ar condicionado. Não há mais cadeiras disponíveis e a cada estação entram mais passageiros.

Na estação Franco da Rocha, dois vendedores ambulantes entram no vagão, um dos últimos do trem. “Bala de café, de gengibre, uma (caixa) por R$ 1. ‘Taí’, pessoal, a solução para sua garganta”, grita um dos vendedores. O comércio, dentro do trem, é proibido. Também se vende chiclete e “gotas macias de eucalipto”, as últimas por 50 centavos. A viagem seguirá ainda por mais uma hora. Entre as estações Jaraguá e Piqueri, o trem perde velocidade e as paradas são mais frequentes.

“Acho importante a linha, mas é devagar, principalmente depois da (estação) Caieiras, onde moro. Uso de duas a três vezes por semana, e ajuda muito, porque é barato”, disse a gerente de projetos Andreia Banhe, de 35 anos. Ela viajava na quarta-feira de manhã, por volta de 8h10, rumo à Capital. Segundo ela, o horário de pico é entre 6h e 8h, e que fica “impossível”. “Em Francisco Morato também é complicado, porque nem sempre o trem de transferência está esperando para transferir”, disse.

“Para quem mora na região é uma solução de transporte. Não tenho condição de ter um carro. E a linha também leva para Jundiaí, onde tenho amigos e costumo ir”, afirmou o estudante Marcos Vinicius Lara Pavani, de 20 anos.

Inviável
O secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que, apesar de ser a ligação férrea com São Paulo, não é viável utilizar o trem como ligação regional. “O serviço é local, há uso entre as cidades do Interior e a Capital. Em uma eventualidade, para passeio, acho correto”, comentou. Sobre a lentidão, ele disse que é comum, devido à proximidade das estações.

Linha ainda tem estações do século 19
No trem urbano que liga Jundiaí até a Capital, a característica é de grande fluxo de passageiros e paradas mais rápidas. Hoje, a linha suporta até 2 mil pessoas, e a velocidade comercial é de 45 quilômetros/hora. Os passageiros viajam de pé e os motores são distribuídos ao longo do trem. A velocidade máxima é de 90km/h.

Na década de 1940 a linha seria eletrificada, mas continuou a prestar serviços com carros de madeira puxados por locomotivas até 1957. Em 1994, passou a ser administrada pela atual Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A linha até hoje possui estações originais da SPR, algumas com o prédio construído ainda no século 19, como Caieiras, Perus e Jaraguá. O trajeto também passa por um túnel (de duas galerias), entre as estações Francisco Morato e Botujuru.

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