O caminho de volta do projeto do trem-bala


Resta saber se desta vez o governo saberá dar continuidade ao que começou como mais um projeto que ecoa alto dos palanques

Editorial do Jornal Correio Popular de Campinas

trem-bala #noticiaferroviariaQuando já não restavam muitas esperanças de que finalmente o governo federal cumpriria o propósito de implantar um trem de alta velocidade ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, eis que a presidente Dilma Rousseff se manifesta ainda interessada no projeto, que foi uma das cobranças da campanha eleitoral. Gestado há oito anos e usado abertamente como mote político desde o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o programa recebeu amplo apoio para sua implantação, mas uma condução desastrada levou à suspensão de três leilões, ao desinteresse de investidores e à incongruência de detalhes técnicos que comprometeu até mesmo os estudos realizados, que precisam ser novamente contratados e refeitos (Correio Popular, 30/10, A7).

Não restam dúvidas que o potencial das regiões metropolitanas de Campinas, São Paulo e o Rio de Janeiro justificaria todas as atenções e investimentos que coubessem para garantir a infraestrutura necessária para sustentar o crescimento econômico que, em essência, é a locomotiva da economia brasileira. Concentrando alta fatia do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o polo é indiscutível força de ação, e enfrenta a iminência de um colapso em mobilidade urbana. Todo esforço para promover a integração com meios de transporte rápidos, econômicos e eficientes é festivamente recebido.

Ainda assim, resta um tanto de ceticismo diante da possibilidade de novamente o processo voltar a andar e haver a licitação para estudos de viabilidade já em 2015. O próprio governo se desautoriza pela hesitação e pelo discurso evasivo, sem nunca se desvencilhar o caráter político-eleitoral da proposta. Desta vez, será preciso um pouco mais de objetividade e clareza para que a ideia tenha alguma chance de vingar através da atração de investidores. O principal impasse começa no orçamento do trem, que o governo estimava em R$ 34 bilhões há dois anos, quando as empresas calculavam um mínimo de R$ 50 bilhões.

Diante da insegurança da proposta, da dificuldade de estabelecer metas e prazos, além do sempre presente discurso em períodos eleitorais, a perspectiva nunca abandonada é que o trem de alta velocidade um diapossa trilhar os caminhos da macrometrópole de Campinas-São Paulo, incorporado a outros projetos alternativos. Resta saber se desta vez o governo saberá dar continuidade ao que começou como mais um projeto que ecoa alto dos palanques, mas não reverbera nos caminhos das providências necessárias.

Fonte: Correio Popular de Campinas

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