Prédio do Museu da Estrada de Ferro Sorocabana é tombado


Museu SorocabanaO tombamento em grau 2 estabelece que sejam preservadas todas as medidas das fachadas externas

Por Sabrina Souza – programa de estágio | Foto – Aldo V. Silva

O prédio do Museu da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), localizado na região central da cidade, acaba de se tornar patrimônio histórico. Em andamento desde 2001, o processo de tombamento do imóvel, em caráter definitivo e grau de preservação 2, foi concretizado por meio de decreto publicado no Jornal do Município pela Prefeitura. Isso significa, segundo a Secretaria de Cultura (Secult), que as características externas do local deverão ser preservadas. Apesar disso e sem entrar em detalhes, a pasta informa que um projeto de restauração do museu está em andamento, porém sem data para ser efetivado. “Assim que a fase documental for concluída, o processo será encaminhado para aprovação”, destaca.

A aprovação desse projeto, que de acordo com a Secult, compreende o restauro de todos os museus sorocabanos, precisa ser aprovado, além do agente financiador, pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Turístico e Paisagístico de Sorocaba (CMDP). “Por intermédio do Ministério do Turismo, a Secretaria tem parceria que possibilita a capitalização de verbas destinadas à esta atividade junto à Caixa Econômica Federal”, afirma por meio de nota. Presidente do CMDP, o arquiteto Alberto Streb, explica que toda intervenção em imóveis tombados passa pela aprovação da entidade. “A restauração é necessária, mas é preciso também seguir critérios que mantenham as características daquele bem histórico”, cita.

No caso do Museu da EFS, embora a propriedade do imóvel pertença à União, cabe ao município, detentor de sua tutela, promover ações educativas e de preservação. O tombamento em grau 2 estabelece que sejam preservadas todas as medidas das fachadas externas, sendo que essa parte só pode receber intervenções após autorização do CMDP. Internamente, porém, o local pode receber manutenções por meio de reparos e pinturas. “As categorias de tombamento variam numa escala de 1 a 4 e dependem da importância do bem tombado”, destaca Alberto Streb. A decisão de tombar o prédio do Museu da EFS levou em conta “a necessidade de enriquecimento do patrimônio histórico e cultural da comunidade local, a fim de preservar sua identidade e memória”.

O tombamento pode ser aplicado a bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados. O processo compreende bens móveis e imóveis de interesse cultural ou ambiental, para fins de preservação da memória coletiva. Embora não altere a propriedade de um bem, ressalta o arquiteto, a preservação oficial proíbe que ele venha a ser destruído ou descaracterizado. “Assim, um bem tombado não necessita ser desapropriado e também não existe qualquer impedimento para a venda, aluguel ou herança, no caso de imóveis”, finaliza.

Há pouco mais de um mês, decreto assinado pelo prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB) já havia tombado, na mesma categoria, o prédio da Escola Técnica (Etec) Rubens de Faria e Souza. A justificativa, na ocasião, foi de que a decisão ocorreu porque o local sediou a primeira unidade de ensino deste tipo na cidade. Em março deste ano foi a vez da Capela Nossa Senhora da Imaculada Conceição, no bairro Inhayba, se tornar patrimônio histórico. Até o ano passado, a cidade possuía 31 imóveis tombados, sendo que outros 121 aguardavam estudos para passarem pelo mesmo processo, conforme revelou reportagem do Jornal Cruzeiro do Sul.

O museu

Em estilo inglês, o casarão que sedia o Museu da EFS está localizado no Jardim Maylasky, na região central da cidade, junto ao monumento ao engenheiro austríaco Matheus Maylasky, que em 1870 participou da construção da estrada de ferro que ligaria Sorocaba a São Paulo. O terreno, que se situa em frente à Estação Ferroviária de Sorocaba, abriga também o Chalé Francês, imóvel construído em 1910 e que serviu de moradia para os engenheiros chefes da estrada. No mesmo local fica ainda a antiga Casa do Engenheiro, construída no século XIX, e que atualmente abriga a sede da Academia Sorocabana de Letras (ASL). (Supervisão: Regina Helena Santos)

Jornal Cruzeiro do Sul

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