Lagoa em Campinas: dormente acende alerta nos trilhos


Lagoa CampinasFrequentadores temem acidentes diante da falta de manutenção na linha

A situação dos bondinhos turísticos da Lagoa do Taquaral, em Campinas, preocupa frequentadores. Eles apontam problemas estruturais e cobram da Prefeitura a manutenção e reparos na linha. O Correio constatou que há dormentes podres e que faltam parafusos em alguns pontos. Os trens percorrem três quilômetros no parque, onde estão instalados mais de 3,3 mil dormentes. O Departamento de Parques e Jardins (DPJ) negou falta de manutenção, informou que este ano 600 foram trocados e outros 700 serão substituídos até o final do ano.

Frequentadores cobram manutenção de bonde

Peças fundamentais para fixar os trilhos, muitos dormentes de madeira que compõem a linha férrea do tradicional bondinho da Lagoa do Taquaral, em Campinas, estão com a vida útil vencida. Falta de parafusos para fixação, madeiramento podre ou ausência visível dos próprios dormentes são alguns problemas estruturais apontados por frequentadores da lagoa e funcionários que fazem a manutenção do trecho.

Prefeitura diz que gasta R$ 70 mil por ano na troca de peças

A Prefeitura garante que a troca dos dormentes é feita periodicamente. A reportagem do Correio percorreu o trecho da malha entre os portões 2 e 1 do parque—aproximadamente 500 metros — e constatou que muitos dormentes estão visivelmente podres. A falta de parafusos em alguns pontos também é um sinal de que é preciso manutenção nos trilhos.

Ao todo, são mais de 3,3 mil toras de madeira assentadas ao redor do parque. As mais antigas, de madeira de lei, são as que apresentam maior desgaste. Não há informações precisas de quantas necessitariam de manutenção ou troca completa.

O diretor-regional da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Hélio Gazetta Filho, destacou a  importância de uma manutenção constante dos dormentes. “Apesar dos bondinhos serem leves e trafegarem em baixa velocidade, é preciso manutenção constante dos dormentes, principalmente nas juntas dos trilhos, onde essas toras de madeira têm papel importante para manter os trilhos alinhados”, destacou o diretor.

Segundo ele, não pode haver muitos dormentes podres sequenciados, pois o trilho pode ficar “desbitolado”. Cada dormente tem uma distância de 60 centímetros um do outro. “Antigamente a vida útil dos dormentes era de 15 anos aproximadamente. Hoje não passa de cinco anos, e quando terminamos de fazer a troca temos que recomeçar tudo de novo”, explicou.

O trajeto dos bondinhos tem extensão de aproximadamente três quilômetros, passando ao lado da lagoa e parte da vegetação da área. O Departamento de Parques e Jardins (DPJ) informou que somente neste ano foram trocados 600 dormentes, e espera trocar até 700 este ano. Os dormentes são feitos de eucalipto e, segundo o DPJ, têm vida útil de oito anos. “Estamos em três funcionários e a manutenção é feita de segunda a sexta-feira. Hoje estamos trocando alguns dormentes próximos ao Portão 8, que estavam mais desgastados”, explicou Carlos Marcos, um dos funcionários que fazem a manutenção do leito. Considerando que cada dormente custa em média R$ 150, em um ano a Prefeitura investe aproximadamente R$ 70 mil em novas toras de madeira.

As peças

Os primeiros dormentes foram confeccionados em 1820 e eram feitos de blocos de pedra e usados em várias ferrovias norte-americanas. Com o passar do tempo, problemas causados por conta da elevada rigidez e da dificuldade para assegurar a manutenção da bitola fizeram com que a madeira substituísse a pedra.

Os primeiros dormentes eram de pinho, cedro, carvalho e diversas outras madeiras, utilizados de forma mista, sem seleção e de acordo com a disponibilidade dos arbustos ao longo da ferrovia. Atualmente, a maior parte da malha ferroviária brasileira, em torno de 32 mil quilômetros de extensão, está assentada sobre cerca de 60 milhões de dormentes, sendo 90% deles feitos com madeira nativa.

Correio Popular de Campinas

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