Nos mínimos detalhes


Maquinista de trem, Stênio Gimenez trabalha na criação da primeira maquete do Brasil a reproduzir com fidelidade as regras de circulação do transporte ferroviário

Maquete

Por Giuliano Bonamim | Jornal Cruzeiro do Sul

Stênio Gimenez, 38 anos, é maquinista de trem. Trabalha na condução de vagões, mas nas horas de folga desempenha a função de escultor com a criação da primeira maquete do Brasil a reproduzir com fidelidade as regras de circulação do transporte ferroviário. O objetivo é desenvolver o projeto mais realista já feito em todo o País, previsto para ser finalizado em dezembro de 2015.

A estrutura é a única do Brasil a operar com um sistema de controle central, como uma ferrovia de verdade. “Ela reproduz a operação de forma semelhante”, conta Gimenez.

A maquete é proporcionalmente 87 vezes menor em relação aos trens e trilhos de verdade. Tem 12 metros quadrados de área e é dividida em oito módulos para facilitar a desmontagem, caso haja a necessidade de transportá-la.

Gimenez elaborou todo o cenário da maquete, baseado na experiência como maquinista de trem e na paixão pelas miniaturas. Em cada canto é possível identificar referências reais da malha ferroviária da região, como o pontilhão situado na praça da Bandeira, em Sorocaba, o terminal de soja da Cargill, em Mairinque, a ponte metálica na Fazenda Ipanema e as casas da vila de ferroviários em Iperó.

Todo o relevo da maquete foi esculpido com isopor. Gimenez criou montanhas, barrancos e a base das linhas férreas com o recorte preciso do material. Na sequência, cobriu com um tecido de gesso para uma maior rigidez e fez uma pintura com tons de verde para tirar a cor branca da paisagem.

A criação de Gimenez chama a atenção pelos detalhes. Por baixo dos trilhos têm sido colocadas minúsculas pedras para deixar a maquete mais próxima da realidade. O trabalho do maquinista exige paciência, pois o material é fixado com uma mistura de cola e água por meio de um conta gotas.

No total, a maquete possui 35 metros de trilhos. É possível ver até quatro trens trafegarem juntos e observar todas as técnicas usadas nas ferrovias de verdade.

Nessa reta final, Gimenez pretende finalizar a maquete com a cobertura vegetal. O maquinista quer importar o material, por ser de melhor qualidade e ter um maior realismo. “O objetivo é que tudo fique perfeito”, revela.

Os trilhos são importados da Inglaterra e dos Estados Unidos e os desvios foram feitos no Japão. De acordo com Gimenez, eles têm uma maior qualidade em relação aos nacionais e são mais próximos à realidade. Até as composições balançam menos.

Gimenez é um dos integrantes do Grupo Maquete Modular de Sorocaba. Cada membro também atua na construção da miniatura, que fica situada em uma pequena sala retangular na Estação Ferroviária de Sorocaba – cedida pela Secretaria da Cultura de Sorocaba.

Segundo Gimenez, um dos objetivos do Grupo Maquete Modular de Sorocaba é divulgar o trabalho e incentivar o ingresso de novos membros à entidade. Tanto que, para fevereiro de 2015, está previsto um curso voltado a iniciantes interessados em aprender as técnicas da criação de uma maquete.

Os integrantes do Grupo Maquete Modular de Sorocaba costumam se reunir aos fins de semana na estação.

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