Ferrovias e hidrovias são pouco exploradas no Brasil


Editorial do Jornal do Comércio

Ferrovia-hidroviaQuando eram pequenos, os meninos geralmente diziam que queriam ser maquinista ou bombeiro. Sabe-se lá por qual razão essas duas profissões fascinaram e povoaram o imaginário infantil dos que hoje têm 60 anos ou mais. Mas, da fantasia à realidade o que se vê são bombeiros mal estruturados materialmente e o abandono quase que total das ferrovias, salvo a Norte-Sul, iniciada por José Sarney (PMDB), combatida ferozmente pelo então oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e hoje sendo impulsionada pela atual presidente da República, Dilma Rousseff (PT).

Como no amor, a política tem razões que a própria razão desconhece. Pelo menos no Brasil. Por isso, não nos surpreende saber que a solução dos entraves mais urgentes para o setor ferroviário demanda investimentos de R$ 35,8 bilhões até 2025, de acordo com estimativa divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A pesquisa CNT mostra ainda que para uma rede ideal de ferrovias seria necessário um plano mais longo de investimentos que engloba R$ 64,5 bilhões também até 2025.

A distribuição de ferrovias e hidrovias é bem reduzida no País, com potencial muito pouco explorado. O modal rodoviário predomina na logística de transportes, com concentração maior na região Centro-Sul, especialmente no estado de São Paulo. A malha rodoviária só não predomina na região amazônica, onde destaca-se o transporte por vias fluviais devido à densa rede hidrográfica natural. De acordo com a Confederação Nacional de Transportes, 61% de toda a carga transportada no Brasil em 2009 usou o modal rodoviário, enquanto 21% passaram por ferrovias, outros 14%, pelas hidrovias e terminais portuários fluviais e marítimos e apenas 0,4%, por via aérea.

Porém, eis que surge, além do apito do trem antes da última curva para parar na bucólica estação, uma notícia auspiciosa: a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a abertura do tráfego comercial de cargas no trecho da ferrovia Norte-Sul compreendido entre os pátios de Porto Nacional, no quilômetro 720, e Gurupi, no quilômetro 940. O segmento em questão fica entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), e tem 855 quilômetros de extensão. O melhor de tudo é que, quando estiver concluída, a ferrovia Norte-Sul, conhecida como EF-151, terá mais de mil quilômetros, entre o município paraense de Barcarena e a cidade de Rio Grande, aqui no Rio Grande do Sul. Os principais eixos ferroviários são usados para o transporte das commodities, principalmente minério de ferro e grãos provenientes da agroindústria. Assim como as ferrovias, as hidrovias são mais utilizadas para transporte de commodities, como grãos e minérios, insumos agrícolas, petróleo e derivados. O IBGE aponta que são produtos de baixo valor agregado, cuja produção e transporte em escala trazem competitividade.

A exceção é a região Norte, onde o transporte por pequenas embarcações de passageiros e cargas tem importância histórica e geográfica. Além das hidrovias do Solimões/Amazonas e do Madeira, a região depende muito de outros rios navegáveis para a circulação intrarregional.

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