Infiltração e vandalismo danificam bens ferroviários no Paraná


Ponta Grossa tem 60 prédios tombados, alguns deles preservados.
Estações de trem e Maria Fumaça aguardam projetos de restauração.

Gizele Silva | Do G1 PR

Entrada da Estação Saudade, erguida em 1898, tem pichações (Foto: Gizele Silva/G1 PR)

Entrada da Estação Saudade, erguida em 1898, tem pichações (Foto: Gizele Silva/G1 PR)

Duas estações de trem, um armazém de cargas e uma locomotiva Maria Fumaça teimam em manter a memória ferroviária no centro de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná, em meio ao vandalismo e à falta de obra de restauração. Os bens, já tombados como patrimônio histórico, marcam o período de crescimento da cidade, que recebeu em 1894 a primeira linha férrea, ligando o interior ao litoral do estado.

A Fundação Municipal de Cultura, responsável pelo patrimônio, estuda projetos para restauração. Para a Estação Saudade, há estudos para oficializar uma Parceria Público Privada (PPP) e recuperar o prédio. Já para a Casa da Memória, há um recurso de R$ 250 mil que está empenhado, aguardando certidões positivas da prefeitura.

A locomotiva Maria Fumaça, conforme o presidente da Fundação, Paulo Goulart Netto, ainda depende de projetos. Uma verba de emenda constitucional, no valor de R$ 360 mil para o restauro da locomotiva, foi contingenciada e o dinheiro não veio. “Os orçamentos para restauração são muito altos porque não é qualquer empresa que pode entrar num prédio histórico”, comenta Netto.

A arquitetura francesa da Estação Saudade, inaugurada em 1898 como Estação Central, é hoje ponto de encontro sutilmente vigiado por guardas municipais que ocupam uma sala do prédio. O local está desativado desde 2012 depois de abrigar a Biblioteca Municipal.

Os sinais de vandalismo estão nas paredes externas pichadas e nos vidros nas janelas quebrados. O apelo pela restauração está na escadaria de madeira interna, que range a cada pisar, e nas paredes com marcas de infiltração. Junto com a Estação Paraná, hoje chamada Casa da Memória, que é usada como arquivo público, os prédios foram tombados pelo estado em 1990.

Bem perto da Estação Saudade está a locomotiva Maria Fumaça ou 250, montada em 1940 pelo engenheiro Germano Krüger, que dá nome ao estádio do Operário Ferroviário, time de futebol da cidade. Originalmente movida a vapor, ela foi usada até 1972, quando foi aposentada pelas locomotivas a diesel.

Exposta na plataforma de embarque da antiga Estação Paraná, a Maria Fumaça fica exposta ao tempo, às crianças que pulam a grade de proteção e brincam dentro da locomotiva e aos vândalos, que escrevem nas peças e furtam acessórios. A 250 foi tombada no fim de 2013 pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac).

Centro histórico
Uma placa de sinalização, quase em frente ao conjunto ferroviário, indica o centro histórico em direção à catedral da diocese de Ponta Grossa. A cidade tem 191 anos de fundação e 60 imóveis históricos tombados pelo Compac, além da Maria Fumaça, e outros 38 prédios no inventário aguardando análise para entrarem na lista do tombamento. Hoje, restaram apenas dois prédios históricos na quadra da catedral.

Apesar disso, a cidade não tem um centro histórico constituído. Segundo a mestre em História e voltada ao patrimônio cultural de Ponta Grossa, Márcia Droppa, Ponta Grossa tinha muitos bens preservados até o início dos anos 70, mas eles foram demolidos ou modificados. “Não dá para apontar uma razão, mas talvez a própria industrialização, a modernização ou a morte dos proprietários tenham contribuído para isso”, comenta.

O Paraná tem três centros históricos criados e tombados pelo estado: Lapa, Paranaguá e Morretes. O centro histórico de Castro, nos Campos Gerais do estado, está em análise desde 2004 e já é protegido pelo estado por estar em estudo. Já Antonina tem um centro histórico tombado pela União. “Na criação do centro histórico, a gente delimita uma poligonal e os imóveis inseridos recebem graus de proteção”, diz a arquiteta da Coordenação do Patrimônio Cultural do estado, Rachel Krul Tessari.

A criação do centro histórico não interfere no reforço da preservação dos imóveis antigos, que já são protegidos isoladamente, conforme Márcia Droppa, porém, o centro histórico poderia ser mais um apelo turístico para o município de Ponta Grossa. “Nossa vontade era transformar a Praça João Pessoa, perto das estações, em um centro histórico de cunho cultural e gastronômino, mas não está sendo fácil”, afirma Goulart, referindo-se à falta de recursos nesta área.

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