Pimentel quer lançar consulta popular sobre novas linhas do metrô/BH; obras devem atrasar


Metrô-BH

Os belo-horizontinos devem passar 2015 sem ver o início da aguardada obra de ampliação do metrô. Quatro anos depois de anunciada a liberação de verbas para a construção de duas novas linhas e com mais de R$ 60 milhões gastos com projetos e sondagens no solo da capital, a obra pode voltar à estaca zero. O governador Fernando Pimentel (PT) pretende lançar uma consulta popular para ouvir moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte sobre quais regiões devem receber os novos trechos do metrô. Dessa forma, será necessário revisar, ou até mesmo descartar, os projetos já elaborados para a ampliação da linha existente Eldorado/Vilarinho e para as novas linhas Savassi/Lagoinha e Barreiro/Nova Suíça.

Segundo assessoria de Pimentel, o tema será discutido em reunião marcada para fevereiro, em Brasília, entre as equipes técnicas do governo de Minas e do Ministério das Cidades, responsável pelos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – Mobilidade Grandes Cidades. O governo estadual avalia que a consulta popular pode ser feita em um prazo de três a seis meses, mas não detalhou como será o processo.

A pasta das Cidades não informou se é possível transferir recursos do programa de uma obra que já foi autorizada para outra que não foi incluída na lista das propostas selecionadas. Caso a transferência não seja possível, o governo de Minas terá que buscar nova fonte de recursos para reiniciar o processo de ampliação. Até o final de 2014, das 33 obras selecionadas pelo ministério nas principais cidades brasileiras, 10 já estavam em execução, entre elas as ampliações do metrô de Fortaleza, Rio de janeiro, Salvador e Porto Alegre. No cronograma inicial para Belo Horizonte, as obras estavam previstas para começar no início de 2013, mas até agora os únicos avanços aconteceram nos projetos executivos.

O prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB), não quis comentar as declarações de Pimentel sobre possíveis mudanças no projeto de ampliação. Lacerda tem acompanhado as negociações entre os governos estadual e federal desde 2010, quando o PAC – Mobilidade começou a ser elaborado. “Eu prefiro não comentar esse tema. Já tem muita coisa resolvida, que foi definida em reuniões com o governo federal. Outras ainda precisam ser decididas”, avaliou Lacerda. Em 2012, a prefeitura gastou cerca de R$ 8 milhões com as perfurações na Região Centro-Sul de BH.

No projeto de ampliação aprovado pelo Ministério das Cidades, estão previstas, além das duas novas linhas – Savassi/Lagoinha e Barreiro/Nova Suíça –, a implantação de 11 terminais de ônibus que fariam a integração de cidades da Região Metropolitana de BH com o Centro da capital. São três em Contagem, dois em Santa Luzia, dois em Ribeirão da Neves e um em cada um dos municípios de Sabará, Vespasiano, Sarzedo e Ibirité.

PEÇA DE FICÇÃO
Em 2011, em cerimônia que contou com a participação de Pimentel, então ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, a presidente Dilma Rousseff (PT) lançou o programa de mobilidade para as maiores cidades do país. A petista pediu aos governadores e prefeitos que apresentassem suas principais demandas na área, que seriam analisadas pelo Ministério das Cidades, e garantiu a liberação dos recursos federais.

O governo de Minas e a Prefeitura de Belo Horizonte apontaram as obras de expansão do metrô como ação mais importante para destravar o trânsito na capital e, no início de 2012, a obra foi incluída na lista das selecionadas para o PAC. O Palácio do Planalto reservou um montante de R$ 3,1 bilhões para a tão esperada obra de BH, sendo R$ 1 bilhão repassados pela União, R$ 1,2 bilhão em recursos da contrapartida do governo estadual e da prefeitura e o restante, cerca de R$ 900 milhões, da iniciativa privada.

Em 2013, começaram os primeiros passos para a obra que se tornou peça de ficção para os cidadãos belo-horizontinos. Em abril, Dilma e o então governador Antonio Anastasia (PSDB) assinaram a transferência de R$ 60 milhões para os cofres estaduais, dinheiro que foi gasto na elaboração dos projetos executivos. No ano anterior, o prefeito Marcio Lacerda tinha iniciado o processo, com mais de 150 perfurações em vários quarteirões do Centro da capital para levantar as características do solo que receberia uma das novas linhas.

No ano passado, a população voltou a ter esperanças em ver o início das obras quando foram apresentados os primeiros projetos executivos para a construção do trecho de 4,5 quilômetros, entre a Região da Savassi e a Estação Lagoinha. O projeto foi enviado ao Ministério das Cidades e à Caixa Econômica Federal, mas foi devolvido ao governo de Minas, com falhas apontadas pela equipe técnica da pasta. A disputa virou um cabo de guerra entre petistas e tucanos, que, em ano eleitoral, responsabilizavam um ao outro pelos atrasos no início da obra. (Colaborou Alessandra Mello)

O projeto

Confira o que foi aprovado no PAC – Mobilidade Grandes Cidades que pode ser revisado pelo governo de Minas

Linha 1 (Eldorado/Vilarinho)
» Construção de um novo trecho de 1,8km da estação Eldorado até a nova estação Novo Eldorado
» Construção de duas estações: Novo Eldorado e Nova Suíça
» Revitalização dos 28,2km da linha
» Reforma no pátio de manutenção São Gabriel
» Elaboração de estudos para a ampliação até Betim

Linha 2 (Barreiro/Nova Suíça)
» Implantação do trecho de 7km entre Barreiro e Nova Suíça
» Construção de sete estações
» Obras de arte especiais: viadutos ferroviários e rodoviários
» Construção de uma oficina de apoio

Linha 3 (Savassi/Lagoinha)
» Implantação do trecho de 4,5km entre Savassi/Lagoinha via Rua Pernambuco
» Construção de quatro estações subterrâneas
» Ampliação da Estação Lagoinha
» Centro de Manutenção (futura estação Senai)
» Aquisição de veículos

Fonte: Ministério das Cidades. PAC-Mobilidade/Estado de Minas

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