Estação da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) pede socorro


Estação da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS)Há notícias que podem causar indignação ou tristeza, mas outras notícias podem provocar ao mesmo tempo as duas reações. A reportagem publicada pelo Cruzeiro do Sul com o título Prédio da Sorocabana sofre com o abandono, como manchete de primeira página na edição do último sábado, não foi selecionada por acaso. O prédio da estação da antiga Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) é um dos principais marcos históricos, arquitetônicos e culturais da cidade. E está em estado de abandono.

Prédios e outros símbolos com essa importância devem ser elevados ao nível de prioridade especial no leque de ações do poder público. Preservar, manter e ocupar culturalmente esses símbolos da história da cidade deveria ser hábito do município, a exemplo da vocação existente em várias regiões da Europa. Mas, convenhamos, somos uma parte do Brasil e a história mostra que temos muito a aprender com lições de preservação da memória histórica.

Não faltam instrumentos para que as ações de preservação possam ser tomadas. A cidade tem um Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Turístico e Paisagístico, uma Curadoria do Patrimônio Histórico do Ministério Público Estadual e uma Comissão de Cultura e Esportes da Câmara, além da Secretaria de Cultura do governo do prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB). Todos estes setores podem e têm a responsabilidade de se mobilizar por ações de socorro à Estação Ferroviária.

Com efeito, socorro é a palavra apropriada diante da gravidade do abandono do prédio. Como uma câmera, a reportagem mostra que há deterioração do forro e de estruturas superiores. O madeiramento entrou em processo de destruição por cupins. Há vidros quebrados, cômodos sem porta e sem janelas, cobertos por tapumes. Na fachada há sinais dos princípios de incêndio que atingiram um dos cômodos no andar térreo nos dias 3 e 11 de janeiro deste ano.

Nos fundos da estação há sinais de deterioração e vandalismo. O local é farto em pichações, parede descascada, tijolos aparentes e buracos no chão. A escada e o telhado da plataforma foram alvo de pichadores. A última grande reforma ocorreu em 1990 com intervenções na sua estrutura e fachada. Em 2012, a Prefeitura recuperou o piso de madeira, o forro e o telhado. Não foram realizadas obras de restauro, que também são necessárias. O prédio foi tombado como patrimônio histórico em 2003 e, em 2005, passou a ser de responsabilidade da Prefeitura.

Agora, a Prefeitura informa que um projeto técnico está em fase de elaboração e prevê a manutenção das características arquitetônicas originais do prédio. Depois, uma empresa fará os projetos de arquitetura, de reforma e restauro. Enquanto isso, os planos se limitam à instalação de grades nas portas e janelas para evitar invasões e vandalismo. Por enquanto, não há prazos previstos para o cumprimento dessas metas.

Evocando a história, numa época em que Sorocaba precisava de uma ligação ferroviária com o porto de Santos para o escoamento do algodão, o espírito empreendedor de Luiz Matheus Maylasky e o do grupo por ele liderado gerou as condições para a construção da linha férrea que teve um momento de consolidação com a inauguração, em 10 de julho de 1875, da Estação Ferroviária em Sorocaba.

Não é admissível que, quase 140 anos passados, na era da ciência e da tecnologia e numa cidade que cunhou o rótulo de educadora, um símbolo da importância da Estação Ferroviária esteja em situação tão precária.

Ou as autoridades responsáveis se mobilizam para ir além dos discursos e tomar providências urgentes de preservação e proteção deste patrimônio, ou corremos o risco de perdê-lo e ter que correr atrás de prejuízos ainda maiores. Tragédias não acontecem do dia para a noite. Os princípios de incêndio identificados no local são uma comprovação do alerta de risco.

Jornal Cruzeiro do Sul

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