Ferrovia Norte-Sul passará por Pato Branco, afirma Valec


O traçado da estrada de ferro EF 151 – chamada de ferrovia Norte-Sul, por integrar as extremidades do país – vai passar pela região de Pato Branco.

FERROVIA-NORTE-SUL-ANAPOLIS-GO

Harald Essert | Diário do Sudoeste

A informação foi confirmada pela Valec, a estatal responsável por projetar e executar a construção desse que será um dos mais importantes modais logísticos do país. Quando pronta, a ferrovia vai ligar Barcarena (PA) ao porto de Rio Grande (RS). Atualmente a ferrovia se estende de Açailândia (MA) até Anápolis (GO). A interseção entre Anápolis e Estrela D’Oeste (SP) está em construção.

Sobre o trecho que abrangerá Pato Branco, possivelmente ainda no mês de março a Valec deve concluir e publicar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) do trecho entre Estrela D’Oeste e Chapecó (SC).

Essa é uma fase preliminar do projeto. Contudo, a diretriz para o estudo do traçado já está definido, de maneira que, dentro do Paraná, a ferrovia necessariamente atravessará as regiões de Maringá, Campo Mourão, Cascavel e Pato Branco. Desse modo, ficaram excluídos o Centro do Paraná, nas proximidades de Guarapuava, e os Campos Gerais, em Ponta Grossa – regiões que também pleiteavam o traçado da ferrovia, que integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) do governo federal.

Os detalhes mais minuciosos de onde passarão os trilhos – exatamente quais municípios e localidades – serão definidos nos projetos básico e executivo, que são as próximas etapas a serem elaboradas. “Somente nessas fases poderemos falar em traçado, uma vez que, com o aprofundamento do estudo, sua localização terá maior precisão”, explicou a nota da Valec.

A empresa ainda não deu prazo para o fim dos projetos e o início das obras entre Estrela D’Oeste e Chapecó. Segundo a nota da Valec, o cronograma também será estabelecido nas fases seguintes dos estudos.

Norte-Sul, Leste-Oeste
Depois que as obras entre Estrela D’Oeste e Chapecó forem iniciadas, a Valec seguirá para a projeção do trecho final da ferrovia Norte-Sul, fazendo a ligação até o porto de Rio Grande (RS).

Além de ligar as regiões setentrionais (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) às meridionais (Sudeste e Sul) do país, a ferrovia Norte-Sul tem a missão de integrar as diversas ferrovias regionais. Um dos exemplos é a ferrovia Leste-Oeste do Paraná, administrada pela estatal

Ferroeste no trecho entre Cascavel e Guarapuava, e pela privada América Latina Logística (ALL) entre Guarapuava e Paranaguá. Essa estrada de ferro paranaense, segundo a Valec, terá meios de interligação com a ferrovia Norte-Sul.

Esse também será o caso da Ferrovia do Frango, que cortará o estado de Santa Catarina, a partir de Dionísio Cerqueira, no extremo Oeste, passando por Chapecó e as principais regiões produtoras de aves, até o porto de Itajaí.

Com isso, mercadorias poderão ser transportadas não só pelo eixo principal da ferrovia Norte-Sul, mas também pelas demais estradas de ferro interligadas, que funcionariam como ramais. O objetivo é integrar as regiões produtoras com os maiores centros de consumo e industrialização, sem a necessidade de intermediação por rodovias em longas distâncias.

Sudoeste
A notícia de que o Sudoeste paranaense será abrangido pela EF 151 agradou as entidades representativas, como a Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop). Na opinião do secretário-executivo e coordenador técnico dos programas de educação da associação, José Kresteniuk, isso resolve mais uma das metas da Carta do Sudoeste – documento que contém as principais demandas dos municípios e do setor produtivo da região. “Hoje podemos dizer o seguinte: estamos no mapa. É uma grande conquista”, afirmou.

Segundo ele, o fato de que a região seria abrangida já havia sido sinalizada pela Valec nas últimas viagens do presidente da Amsop, Altair José Gasparetto, a Brasília, mas que ainda não havia confirmação.

“O Brasil, nas últimas décadas optou pelo transporte rodoviário. Ele é importante, mas caro. A gente percebe agora, com todo o transtorno que gerou, durante os protestos. Os caminhoneiros reclamam com razão, mas por outro lado a região é prejudicada, porque [o transporte rodoviário] tem um custo elevado para transportar essas riquezas – soja, milho, frango”, destacou Kresteniuk, ressaltando que o único modal que atende o Sudoeste em termos de carga são as rodovias. “A ferrovia é nossa única alternativa, porque não há possibilidade de implantar hidrovias, por exemplo”.

De acordo com ele, os municípios do Sudoeste serão muito beneficiados pela Ferrovia Norte-Sul, que dará vias de escoamento tanto pelo ramal Leste-Oeste do Paraná, que liga ao porto de Paranaguá, quanto pela Ferrovia do Frango, em Santa Catarina, que vai ao porto de Itajaí. “Além disso, vai ser possível trazer milho do Mato Grosso para abastecer a nossa avicultura. O Mato Grosso produz muito milho, mas hoje não compensa comprar lá pelo custo do frete”, completou.

EF 151
No último dia 27 de fevereiro, o trecho de 855 km da Ferovia Norte-Sul entre Anápolis (GO) e Palmas (TO) começou a funcionar, após meses de teste. O modelo de gestão escolhido pelo governo federal é a concessão à iniciativa privada. Nesse trecho, a concessionária é a empresa de logística VLI. O trecho entre Açailândia (MA) e Palmas (TO) foi o primeiro a ser concluído e já funciona há mais tempo.

As próximas etapas são a conclusão do eixo entre Anápolis (GO) e Estrela D’Oeste (SP), e o subsequente início das obras no trecho que contempla Pato Branco.

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