Um modal à espera de investimentos


Opinião – Jornal Correio Popular de Campinas

linha férrea

É francamente reconhecido o engano que acometeu o planejamento brasileiro desde meados do século passado, quando o senso desenvolvimentista apontava para a instalação da indústria automobilística e a abertura de estradas como sinônimo de crescimento. Era o passaporte para o Primeiro Mundo em um País que despertava do marasmo do coronelismo e do feudalismo rural e buscava alternativas para a expansão econômica além da exploração de commodities.

Contraditoriamente, a rede ferroviária existente foi relegada a segundo plano, em franco processo de deterioração, perdendo negócios no transporte de cargas e, paulatinamente, abandonando o potencial de passageiros. Nem mesmo
a conveniência de um modo de locomoção econômico e racional diante da dimensão continental do País conseguiu reverter o processo, que culminou com praticamente o fim do transporte de passageiros, que resiste em poucos conglomerados urbanos, como as regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Um fôlego para o setor veio com a América Latina Logística (ALL), maior concessionária da América do Sul, que passou a administrar quatro ferrovias brasileiras com investimentos de longo prazo, criando uma expectativa ansiosa de atração de investimentos e de recuperação da malha ferroviária. Passado o primeiro período, tem-se que a velocidade média das composições caiu cerca de 50% por conta da segurança em uma rede com problemas estruturais sérios. A empresa anunciou que colocará em prática um plano de investimentos de aproximadamente R$ 8 bilhões até 2020 para a recuperação da malha (Correio Popular, 13/4, B2). A falta de conservação adequada de trilhos e dormentes tem sido responsável pela ocorrência de graves acidentes que inclusive têm levado à morte, como em Americana há dez anos (Correio Popular, 14/4, A8).

Essa conjunção de fatores leva ao resfriamento da expectativa inicial de uma revolução no setor de transportes, justamente em um ponto que o Brasil se torna altamente dependente de uma infraestrutura que dê conta de todos os esforços de desenvolvimento. Cresce a desconfiança da incapacidade do governo federal incrementar a base estrutural para esse crescimento, enquanto financia obras e portos no Exterior e não destina recursos para o lado interno. Há décadas, até mesmo o sistema rodoviário carece de investimentos e a única alternativa que restou para manter ao menos uma rede razoável, foi a privatização das rodovias, que é um inconveniente pela cobrança, mas ainda é a alternativa à inação do governo.

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