Projeto de trem turístico tem primeiros investimentos


Linha férrea entre Canoinhas e Três Barras será recuperada para implantação do Trem do Contestado

Loc. Maria-fumaça

Fábio Rodrigues | Correio do Norte online

O trem de passageiros no Planalto Norte deixou de ser realidade há mais de duas décadas. No entanto, Canoinhas e Três Barras tomaram como meta o projeto do trem turístico entre os dois municípios, numa extensão de 12,6 quilômetros.

De acordo com o diretor de turismo de Canoinhas, Marcelo Tokarski, a Associação dos Municípios do Planalto Norte (Amplanorte) apoia a iniciativa, com um ente jurídico para gerir o projeto de forma intermunicipal. Ou seja, para que Canoinhas e Três Barras possam contribuir de forma conjunta no projeto.

Tokarski conta que alguns equipamentos ferroviários já estão sendo comprados e a linha está sendo recuperada entre as estações de Marcílio Dias (Canoinhas) e de Três Barras (no Centro). “Mafra já sinalizou que quer aderir ao projeto, mas ainda não há recursos financeiros para recuperação da linha entre Três Barras e Mafra”, comenta.

Como o objetivo inicial é o turismo, a estrutura da ferrovia é mais básica. Caso o trecho seja escolhido para ligar o Oeste do Estado ao Litoral, com a Ferrovia da Integração, a estrutura para cargas ainda deve ser reforçada.

Tokarski comenta que, apesar de ter investimentos das prefeituras, o cronograma orçamentário precisa ser seguido. “Os recursos são limitados, não temos como aumentar significativamente. Temos algumas etapas ainda para serem cumpridas, mas já estamos com boa parte adiantado”, diz. Ele afirma que artesãos e agricultores da região terão espaço no projeto para expor e vender produtos. “Os atrativos do Trem do Contestado têm de estar inseridos no contexto histórico regional.”

O passeio de trem não é o único serviço proposto no projeto. Tokarski adianta que os roteiros Caminhos do Contestado e Turismo Rural, que já envolvem outros municípios, estarão interligados nesse projeto. “Isso pode gerar um desenvolvimento maior do que apenas o turismo.”

De início, o projeto prevê dois vagões para passageiros e um para restaurante ou para ser utilizado como salão de dança.

Trem do Contestado pode começar a funcionar neste ano

O aceleramento do processo de licenciamento ambiental para recuperação do trecho entre Mafra e Porto União, pela concessionária da malha ferroviária, Rumo/ALL, deve ser decisiva para viabilizar o funcionamento do Trem do Contestado. O pedido de licenciamento já está no Ibama, que notificou a Rumo/ALL para apresentar informações e documentos complementares. A empresa se comprometeu a informar, nas próximas semanas, o cronograma de trabalhos para a solução do impasse.

Em audiência na semana passada, em Brasília, o responsável pelas relações institucionais da Rumo/ALL, Daniel Rossi, cogitou a possibilidade de o trecho ser devolvido à União. No entanto, o superintende de Segurança, Patrimônio e Meio Ambiente da empresa, Evandro Abreu de Souza, reafirmou a disposição de acelerar o processo de licenciamento para recuperar o trecho de 240 quilômetros.

Com essa decisão, conforme o diretor de Licenciamento Ambiental do Ibama, Thomaz de Toledo, o trecho para exploração do Trem do Contestado já será beneficiado. Além disso, os responsáveis pelo projeto turístico já viabilizaram a anuência para a iniciativa junto a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma) e Instituto Chico Mendes (ICM-Bio).

Durante a audiência, o coordenador do projeto do Trem do Contestado, Cláudio Hoppe, fez uma apresentação sobre o estado de conservação do trecho pretendido e criticou o descaso da concessionária para com a ferrovia. Ele afirmou que o consórcio, em fase de formalização na Amplanorte, com participações das prefeituras de Três Barras e Canoinhas, já viabilizou uma locomotiva a vapor e vagões de passageiros com a unidade de Rio Negrinho da Associação Brasileira de Patrimônio Ferroviário, que vai operar o trem. Além disso, estão garantidos cinco funcionários para cuidar do percurso a ser explorado, igual número ao da equipe que a ALL dispõe para hoje conservar o trecho de 240 quilômetros. “Acreditamos que há condições de viabilizar nosso trem turístico até o final do ano”, afirma Hoppe.

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