Longa espera e superlotação são comuns no sistema de trens em Salvador/BA


Luan Santos | A Tarde On Line

Superlotação

Quem utiliza trens do subúrbio enfrenta uma série de transtornos por conta do estado de precariedade em que se encontra o sistema. Veículos enferrujados, janelas quebradas, lotação nos horários de pico e tempo de espera de 40 minutos entre um trem e outro são alguns dos problemas.

A equipe de A TARDE utilizou o sistema na quarta-feira, entre as estações de Paripe e Calçada e entrevistou pessoas que costumam usar o serviço diariamente. Nos 13,5 km percorridos, usuários reclamaram principalmente da estrutura dos veículos e da demora.

Essa situação, no entanto, está com os dias contados, pelo menos segundo expectativas do governo estadual, que pretende substituir o atual modelo pelo Veículo Leve Sobre Trilho (VLT) até 2017.

A licitação deve ser lançada até junho e as intervenções devem começar no segundo semestre deste ano. Enquanto o VLT não é implantado, usuários cobram melhorias a curto prazo e o estado destaca que investe cerca de R$ 20 milhões para manter o sistema.

Dificuldades

O compositor César Augusto Souza, 52, usa o trem diariamente e lamenta o estado de degradação. “Nos horários de pico, é lotado, pessoas são empurradas. É uma humilhação. É um meio de transporte barato e que não enfrenta congestionamento, poderia ser mais valorizado”, diz.

A viagem entre as duas estações dura cerca de 30 minutos. A equipe de A TARDE embarcou no trem por volta das 12h10. A estação com maior demanda é a do Lobato, onde os vagões costumam lotar.

Segundo o presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), José Eduardo Copello, o sistema transporta diariamente cerca de 14 mil pessoas, em média, nos dias úteis. A tarifa é de R$ 0,50. Nas estações, apesar de haver serviço de limpeza, a infraestrutura está precária. Usuários reclamam que muitas estão com a iluminação e o teto comprometidos. Dez estações compõem o sistema.

Copello ressalta que o estado recebeu o sistema da prefeitura em 2013 em situação precária. “É um sistema antigo que vem ao longo do tempo deteriorando bastante, tanto do ponto de vista tecnológico quanto de infraestrutura”, frisa.

Entre os problemas encontrados, ele destaca que uma das vias não tinha condições de uso. “Já fizemos a composição da segunda via, concluída em dezembro de 2014, quando também finalizamos os serviços de sustentação de aterros das cabeceiras da ponte São João”, afirma o gestor.

No último dia 10, com as chuvas em Salvador, o serviço foi interrompido por conta do acúmulo de detritos nos trilhos.

“São resíduos que a população, em alguns casos, coloca na linha, além da drenagem externa do município que deságua na ferrovia. Para o serviço, não por causa da CTB”, frisa.

Com relação à infraestrutura, ele pontua que a manutenção é custosa e há dificuldade para encontrar peças, que muitas vezes não são mais fabricadas, por conta da idade dos veículos, datados da década de 1950.

Vandalismo

Em muitas partes do trem é possível observar assentos danificados por materiais cortantes. Copello conta que há diversos casos. Os próprios passageiros admitem que pessoas depredam o equipamento, mas dizem que este problema é menor ante os demais. “É preciso uma resposta logo. O trem é uma alternativa maravilhosa para o saturado transporte rodoviário”, diz o professor Nilton Magalhães, 54.

O aposentado Raimundo Marques, 63, vê melhoras desde 2013. No entanto, cobra mais ações: “Quem pega todos os dias tem medo de acidente, não se sente confortável nem seguro”.

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