Falta de planejamento pode condenar VLT no Centro do Rio


Veículo Leve sobre Trilhos será inaugurado daqui a um ano, mas ainda não há estimativa do valor da tarifa e do impacto causado às linhas de ônibus da cidade. Transporte pode ter o mesmo destino do BRT Transoeste: uma fonte de problemas após a inauguração.

(RJ), 27/03/2015 - VLT / Transporte

Operários instalam trilhos do VLT no Centro do Rio (Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

Por Thiago Mathias | CBN

A um ano da inauguração do Veículo Leve sobre Trilhos, no Centro do Rio de Janeiro, a prefeitura ainda não sabe o valor da tarifa, como será a integração com outros transportes e a estimativa de passageiros transportados. A operação vai começar no primeiro semestre de 2016, mas o mês e o dia não estão definidos. A primeira linha vai ligar a Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, passando pela Via Binário e Avenida Rio Branco.

Questionado pela CBN sobre quantas linhas de ônibus serão substituídas no Centro após a implantação do VLT, o subsecretário de Planejamento da Secretaria Municipal de Transportes, Alexandre Sansão, não soube responder.

EDUARDO PAES INAUGURA EXPOSIÇÃO DO VLT

Interior de vagão do VLT, exposto em protótipo na Cinelândia (Gustavo Serebrenik / Agência O Globo)

A falta de planejamento pode gerar problemas, a exemplo do que aconteceu com o BRT Transoeste. Com o sistema mal dimensionado, os ônibus que circulam pelo corredor estão sempre lotados. Meses após a inauguração, em junho de 2012, a pista do BRT já estava cheia de remendos. O roteiro semelhante se repete no VLT. A prefeitura ainda vai se reunir com o governo do estado e as concessionárias para definir a integração com outros transportes.

O professor do Departamento de Trânsito e Transportes da Universidade Federal do Paraná Eduardo Ratton diz que a discussão sobre a tarifa única deveria ter começado há muito mais tempo. Para ele, as deficiências vão aparecer quando os trens entrarem em operação e o planejamento adotado vai determinar se o transporte será bem-sucedido.

Apesar da falta de informações, a prefeitura comemora o sucesso do VLT. Desde o dia 22 de março, há um protótipo do veículo na Praça da Cinelândia, no Centro da cidade. O professor de Engenharia de Transportes da PUC-Rio, José Eugênio Leal, teme pela segurança do transporte. Ele cobrou mais clareza nas medidas de prevenção, já que o espaço será compartilhado com pedestres.

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Protótipo do VLT exposto na Cinelândia, no Centro do Rio (Crédito: Ale Silva / Parceiro / Agência O Globo)

“Ele não está segregado, está andando com os outros: com a rua, os pedestres, os veículos e as motos. São necessárias uma grande conscientização de todos e uma série de medidas de segurança para reduzir a possibilidade de acidentes, que inevitavelmente vão acontecer.”

O projeto do VLT prevê a entrega de 32 trens com capacidade para 420 pessoas. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, o sistema de pagamento será o de validação voluntária, sem roletas ou cobrador. Passageiros poderão ser abordados por fiscais da empresa e terão de apresentar comprovantes do pagamento. O custo da implantação do sistema é de R$ 1,157 bilhão.

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