Cosan fará cisão da área de logística em outubro


CosanO grupo de origem sucroalcooleira Cosan informou ontem que entrou com pedido de registro de companhia aberta da Cosan Logística na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A criação da empresa faz parte do processo de cisão do grupo, modelo previsto para entrar em vigor em 1º de outubro.

A empresa pretende que, já na data prevista, sejam iniciadas as negociações da nova companhia em bolsa. “A Cosan Logística, resultante da cisão, será uma companhia aberta, listada na BM&FBovespa no segmento ‘Novo Mercado'”, informou a empresa, ressaltando que o modelo ainda precisa de aprovação em assembleia geral extraordinária de acionistas.

A criação da Cosan Logística é um passo do grupo para incorporar a América Latina Logística (ALL), de ferrovias. A ALL está em processo de fusão com a Rumo, controlada da Cosan. De acordo com os planos da diretoria do grupo, o investidor da Cosan vai passar a ter em mãos a participação em dois papéis: na Cosan (que, conforme disseram diretores anteriormente, passará a se chamar Cosan Energia) e na Cosan Logística (a ser criada). Mas quanto o acionista receberá de cada papel ainda dependem de cálculos.

Segundo os diretores, a cisão serve para que o mercado tenha mais clareza ao investir nos negócios da companhia. A Cosan Logística surge com um único ativo: a participação na Rumo, companhia avaliada em R$ 4 bilhões que possui terminais no interior e no litoral paulista. Os planos é que a Rumo seja fundida com a ALL (com valor de quase R$ 7 bilhões) depois da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Para a Cosan, a aprovação do Cade ocorrerá no fim deste ano ou no começo do ano que vem. Segundo os executivos, há preocupação com o ritmo do órgão antitruste. “Nossa preocupação é com prazos. Porque vemos uma necessidade premente de se fazer coisas na companhia. Dada a nova lei [do Cade, que impede junção das operações antes da aprovação], a gente não pode fazer nada. Tem que esperar”, disse o vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores da Cosan, Marcelo Martins, em teleconferência ontem com jornalistas. O Cade tem 330 dias, no total, para avaliar a questão.

Empresas e entidades, como por exemplo a distribuidora de combustíveis Ipiranga, já manifestaram preocupação com a fusão no órgão, mas os diretores minimizaram a questão. “A gente já esperava que essas peças entrassem no Cade, porque nesta semana o prazo para as manifestações se encerram. Por ser uma companhia com grande presença geográfica, [a ALL] tem muitas partes interessadas e é legítimo que elas se manifestem”, afirmou Martins.

“A gente está tranquilo a respeito disso isso. Estamos nesse momento revisando [as petições] para ver se tem algo novo”, afirmou. Segundo ele, a fusão é simples do ponto de vista da concorrência. “Na nossa opinião, é uma fusão tecnicamente simples do ponto de vista concorrencial. Porque já se parte de um monopólio legal, estabelecido por lei e regulado para se manter economicamente correto. Não tem um aumento de concentração no que ela [a ALL] faz”, afirmou.

Ainda de acordo com Martins, uma nova revisão das orientações de resultado poderá vir após a listagem da Cosan Logística em bolsa. “Fizemos uma revisão na Raízen Energia com relação à cana moída [bem como de volumes] e optamos por não fazer outras revisões no trimestre porque estaremos, a partir de 1º de outubro, com duas empresas listadas, a Cosan S.A. e a Cosan Logística”, disse o executivo já na teleconferência com analistas.

Conforme Martins, “será mais adequado trabalhar no novo ‘guidance’ [meta] com o número já quebrado por segmento de negócio ou por empresa”. Para a Rumo, a previsão de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2014 será atualizada, segundo a companhia.

Em relação à Cosan Lubrificantes, o executivo adiantou que é possível que a previsão para o Ebitda anual seja revista para baixo. “Os resultados do segundo semestre devem mostrar recuperação bastante forte em relação ao resultado que tem sido visto até agora, [mas] o guidance de Ebitda pode ser revisto para esse negócio.”

De acordo com o presidente da Cosan, Marcos Lutz, tanto o mercado quanto as margens desse negócio se contraíram muito no segundo trimestre. “Vemos alguma reação neste mês, mas é difícil projetar uma recuperação total em relação ao orçamento do ponto de vista de Ebitda. É um negócio que sofreu muito neste trimestre”, enfatizou.

De abril a junho, a área de lubrificantes registrou Ebitda de R$ 21 milhões, frente a R$ 40 milhões um ano antes. Para o acumulado do ano, a meta atual é de Ebitda entre R$ 140 milhões e R$ 170 milhões.

Fonte: Valor Econômico