‘Governos são parceiros na construção do Ferroanel’, diz ministro


ministroNo primeiro debate do Santos Export, Tribuna do Porto, o minitro César Borges afirmou que o Governo Federal é parceiro do Estado na construção do Ferroanel de São Paulo. ”A discussão com todos os envolvidos no modal ferroviário já está em andamento para que se possa avançar neste transporte”.

Questionado em relação a projetos de hidrovias para o transporte de cargas no Porto de Santos, o ministro declarou desconhece essa possibilidade.

Sobre a dragagem do canal de navegação do complexo santista, César Borges disse que não faltam recursos para a manutenção do serviço. ”O problema são as empresas que devem ser contratadas para executar o serviço, adequando o valor pedido ao disponível para a dragagem com os recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.

Os investimentos estão em curso, conforme o ministro, e o assunto é ponto de honra para o governo. Ainda em relação à dragagem, o presidente da Companhia Docas do Estado (Codesp), Angelino Caputo, confirmou que toda a sobra de orçamento da estatal é passada para esse serviço. Ele destacou que há concenso entre a estatal e a Secretaria de Portos em relação à importância dessa questão.

No encerramento, César Borges ressaltou a importância da discussão em torno do setor portuário. Segundo ele, suas palavras no debate foram também em nome da presidente da República Dilma Rousseff.

De A Tribuna On-line

Concessões injetam apenas 2,5% do previsto para 5 anos


trem_brado_logisticaO governo conta com o interesse de investidores estrangeiros, como chineses, russos e espanhóis, para fazer a linha. Mas só colocará o projeto no mercado se tiver certeza de sucesso.

Dois anos depois de anunciado pela presidente Dilma Rousseff, o Programa de Investimento em Logística (PIL) está absolutamente distante da realidade que prometia entregar. Quando o pacote de concessões foi lançado em 2012, o governo previu a injeção de R$ 79,5 bilhões na economia no prazo de cinco anos, a partir de uma primeira rodada de concessões de estradas e ferrovias.

Levantamento feito pelo Estado com todas as concessionárias vencedoras dos leilões incluídos no PIL aponta que, neste ano, o impulso econômico gerado pelas concessões será de pouco mais de R$ 2 bilhões, o que significa apenas 2,5% do previsto para os cinco anos.

O avanço tímido fica mais evidente se confrontado com o investimento total previsto para o setor de transportes neste ano, englobando desembolsos de estatais como a Valec e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), além do setor privado.

Dados oficiais do governo compilados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam para R$ 33 bilhões. Nessa conta, as concessões terão um efeito marginal, de apenas 6% em 2014.

A frustração econômica não se deve a descumprimentos de compromissos financeiros pelas empresas. Esse resultado, na realidade, está associado a dois fatores: em primeiro lugar, o atraso de um ano no início do programa, que teve de passar por mudanças constantes, desde a revisão das taxas de retorno até as condições de financiamento, e o prazo das concessões. Além disso, faltou habilidade para destravar as concessões dos portos e, principalmente, das ferrovias, a maior fatia do investimento do PIL.

O resultado prático é que, exceto pela concessão de seis lotes rodoviários e dois aeroportos, Confins (MG) e Galeão (RJ), o PIL está praticamente parado. A desconfiança do setor privado deixou encalhada a concessão de 11 mil km de ferrovias, com investimentos previstos de R$ 56 bilhões em cinco anos. Os leilões de portos, que deveriam “desfavelizar” os terminais e movimentar R$ 54 bilhões, esbarraram numa discussão rocambolesca no Tribunal de Contas da União (TCU).

A evolução ficou por conta das rodovias, onde as concessionárias procuram acelerar a execução das obras, mas esse esforço não será suficiente para movimentar a economia neste ano. O mesmo vale para os aeroportos de Galeão e Confins, que só nesta segunda-feira serão entregues aos novos operadores.

Impasse. Nos portos, o processo de arrendamento de áreas públicas chegou há mais de um ano ao TCU e, até agora, não saiu. “Não venham cobrar do governo”, disse o ministro dos Portos, César Borges.

A prometida ligação ferroviária entre Lucas do Rio Verde (MT) e Campinorte (GO) é mais um exemplo das dificuldades encontradas pelo governo, que enfrenta uma espécie de rebelião do setor privado nacional em relação aos 901 quilômetros desta que é a única malha pronta para ir a leilão.

O edital já foi concluído e aprovado pelo TCU. Mas as empresas brasileiras já avisaram que não vão participar. Elas estimam que a ferrovia custaria R$ 7 bilhões, mas os cálculos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apontam para R$ 6,3 bilhões. O TCU, porém, refez as contas e fixou a estimativa em R$ 5,3 bilhões.

O governo conta com o interesse de investidores estrangeiros, como chineses, russos e espanhóis, para fazer a linha. Mas só colocará o projeto no mercado se tiver certeza de sucesso.

O impasse em torno do empreendimento não indica desinteresse em ferrovias no Brasil. Pelo contrário. No mês passado, o Ministério dos Transportes deu início a um Processo de Manifestação de Interesse (PMI), para estudos de novas malhas no País. Surgiram nada menos que 81 propostas de 19 empresas. Na sexta-feira, foi divulgada a relação de empresas aprovadas para fazer estudos de cinco trechos de ferrovias.

Na lista dos interessados estão empreiteiras como Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Barbosa Mello e C.R. Almeida. Como os estudos serão elaborados nos próximos seis meses, prazo fixado pelo governo, os leilões – numa previsão otimista – ficarão para o 2.º semestre de 2015.

O Estado de S. Paulo/Revista Ferroviária

Falta de trilhos reflete ineficiência, segundo especialista


trilho-trem“A questão do Ferroanel é uma ilustração da falta de prioridade que o Brasil deu para o transporte ferroviário”. Assim, o engenheiro e presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (Ferrofrente), José Manoel Ferreira Gonçalves, define o atraso nas obras do empreendimento, responsável por segregar o transporte de passageiros e otimizar a movimentação de cargas em São Paulo.

Gonçalves lamenta que a ineficiência do poder público obrigue a iniciativa privada a investir em alternativas multimodais. No entanto, sem a construção de ferrovias, ele não prevê uma melhora no sistema original de transporte de cargas no País.

Recentemente, uma multinacional de alimentos construiu, no Norte do país, um terminal para o escoamento de grãos até a Europa e a Ásia. Foram investidos R$ 700 milhões no empreendimento. “Nele, não há um trilho. A carga sai dos caminhões e segue a hidrovia para fugir do (Porto de) Santos, que não tem culpa pelas deficiências em seus acessos”.

O especialista, que defende o investimento imediato no modal, explica que a história brasileira mostra que o País tinha uma tendência natural de ser rodoviarista, principalmente por interesse empresarial. “O transporte também virou uma alternativa muito vantajosa de lucro e isso, lamentavelmente, comprometeu a administração das ferrovias”.

Fonte: A Tribuna

Construção do Trecho Sul do Ferroanel é indefinida.


1334_GA construção do Ferroanel de São Paulo era para ter sido iniciada no começo dos anos 2000, com a primeira etapa do Rodoanel Mário Covas. Na época, discutia-se a viabilidade dos 66 quilômetros do tramo Sul que, assim como o Norte, seria construído em paralelo com a rodovia. A indefinição do Governo Federal, que passava por transição política, engavetou o projeto.

Atualmente, o tramo Norte é considerado estratégico para economia nacional. Por isso, é tratado como prioridade. Oficialmente, entretanto, o Ministério dos Transportes não descartou o tramo Sul, que deverá interligar as linhas de Parelheiros as de Rio Grande da Serra. A pasta limita-se a dizer, por meio da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que ele está sob avaliação.

Para o presidente da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), Laurence Casagrande Lourenço, o tramo Sul, como havia se imaginado há mais de uma década, não poderá ser concretizado. Será preciso rever a viabilidade do empreendimento. “A pista do Rodoanel, que iria margeá-lo, ficou muito próxima à Serra do Mar. Por isso, será difícil de acontecer”, pondera.

Da mesma forma, conforme explica o presidente da estatal paulista, caso o licenciamento ambiental acontecesse, a obra ficaria muito mais cara. Os trilhos teriam que ser instalados sobre viadutos, principalmente, pelas áreas alagadas da represesa Billings e do Riacho Grande, por exemplo.

Fonte: A Tribuna