Maria Fumaça na Estação de Jaguariúna


Durante o almoço na Estação de Jaguariúna e curtindo a Maria Fumaça

Maria Fumaça - Jaguariúna 06.07 (1)

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Depósitos de trens são declarados patrimônios históricos em Campinas


fepasaDo G1 Campinas e Região

O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepacc) tombou trilhos de linhas mortas, os depósitos de locomotivas elétricas e a vapor, ferramentas e a alvenaria de uma caixa d’água do Complexo Ferroviário da antiga Fepasa, localizado no Centro de Campinas (SP). Além disso, áreas abertas e o próprio solo do espaço também passaram a ser patrimônio histórico e cultural reconhecido pela cidade. O tombamento foi publicado nesta segunda-feira (16) no Diário Oficial do município.

O tombamento possibilita a preservação de um “museu a céu aberto” sobre a ferrovia na região, segundo a coordenadora do setor patrimonial da Prefeitura e membra do Condepacc, Daisy Ribeiro. Os itens tombados não eram contemplados pela resolução de 1990 que tornava patrimônio apenas os galpões do complexo ferroviário.

Segundo Daisy, até então não haviam sido concluídos os estudos que permitiam que os bens móveis fossem tombados como patrimônio histórico cultural. Ela informou que pelo menos 50 locomotivas também foram tombadas e que poderão ser futuramente restauradas. “Estamos conversando com a ABPF [Associação Brasileira de Preservação Ferroviária] para restaurar algumas locomotivas para circular na Maria Fumaça”, conta.

Complexo tombado por inteiro
A Prefeitura afirma que, com esta resolução, todos os imóveis, espaços e bens do Complexo Ferroviário passaram a ser patrimônio histórico e cultural. De acordo com a publicação no Diário Oficial, foram tombados duas cabinas, os depósitos de locomotivas elétricas e a vapor, o vestiário das locomotivas a vapor, a Casa de Areia, o prédio da administração da casa de carros, a alvenaria da caixa d’água de um antigo pátio circular, o poço, a balança, um bueiro, a Casa do Rádio, a baldeação – assim como o prolongamento metálico dela – , as paredes remanescentes do escritório de baldeação e as torres de distribuição e de iluminação da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Já da Companhia Mogiana, foram tombadas a escola ferroviária, o vestiário da antiga quadra de esportes, o restaurante, a contadoria, o vestiário coletivo, a oficina, o museu, o mictório da oficina, o areeiro, os depósitos de ferro, de óleo e bronze e a nova casa de carros. Além disso, tornaram-se patrimônios culturais os espaços vazios entre os imóveis do Complexo Ferroviário e os trilhos das linhas mortas.

Preservação do sistema ferroviário
Entre os itens curiosos do tombamento, está a alvenaria de uma caixa d’água, além de um poço e um bueiro. Segundo Daisy, itens como esses são importantes para a preservação da memória do sistema ferroviário, tendo em vista que são aparatos que possibilitavam a circulação dos trens. “É aparentemente estranho, porém as caixas d’água eram fundamentais para as locomotivas movidas a vapor. Elas eram como se fossem postos de gasolina para o sistema”, explica ela.

Sítio arqueológico
Daisy explica que o solo entre os galpões também passou a ser patrimônio, tendo em vista que há vestígios de que o local possa ser um sítio arqueológico recente. “Há indícios de que a região seja um sítio arquiológico histórico, com objetos de 100 a 200 anos”. Ela afirma que ainda deve ser feito um diagnóstico para a exploração da área, mas que era necessário realizar o tombamento primeiro. A membra do Condepacc explica ainda que, com o tombamento do solo, será possível investigar as ligações subterranêas que abasteciam outras estações com água, o “combustível” das locomotivas a vapor.