Locomotiva a diesel entra no circuito da maria-fumaça


Unidade fabricada em 1958 passou por restauração e começou a circular ontem, 05/09

Loc. dieesel

Uma locomotiva a diesel de 1958 volta a circular hoje em Campinas depois de passar por oito meses de restauro. A máquina, que operou no transporte de passageiros até 1971, foi completamente recuperada para fazer o mesmo trajeto que a maria-fumaça. A regional campineira da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) afirmou que o veículo RSD-8, de três eixos, vai ajudar o trem a vapor nos dias de pico.

Composição ajudará a fazer o percurso até Jaguariúna

O diretor-regional da associação, Helio Gazetta Filho, afirmou que hoje o Brasil tem poucas locomotivas a diesel. O que ocorre é o mesmo que aconteceu com os trens há vapor há quatro décadas, quando eles começaram a ser substituídas pouco a pouco por composições mais modernas. Por isso, a ABPF iniciou um movimento de reparo e resgate dos trens a diesel antigos. “Não podemos assistir de camarote a essas locomotivas desaparecerem também”, falou. Gazetta montou uma força-tarefa para conseguir pelo menos quatro exemplares dos modelos e montar um acervo na associação. O movimento começou em 2012, quando foi restaurada uma locomotiva que pertenceu à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

A unidade que irá de Campinas a Jaguariúna começou a ser restaurada em janeiro. Fabricada pela American Locomotive Company, dos Estados Unidos, o modelo elétrico RSD- 8 CC, de três eixos, chegou ao Brasil na década de 50 e operou de 1958 a 1968 na Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Depois, ela foi comprada pela Mogiana, onde ficou até 1971. Depois de virar Ferrovia Paulista (Fepasa), o trem parou de transportar passageiros e passou a fazer apenas movimentação de cargas. “Ela ficou na ativa até 2013, só fazendo manobra da carga. Estava fraca já. Depois parou de vez.”

O trabalho de restauro custou R$ 200 mil, com a ajuda de fornecedores e descontos em peças. “Se não fosse isso, passaria dos R$ 200 mil, com certeza.” Foi feita uma revisão nos motores e na tração, a parte elétrica foi refeita e o estofado trocado. “Resgatamos também a pintura original, da Companhia Paulista. Ela estava vermelha mas voltou a ser azul e amarela.” A composição ajudará a maria-fumaça a fazer o passeio até Jaguariúna em dias de chuva ou quando houver lotação de passageiros. “Ela pode chegar a até 60km/h, mas aqui ela vai andar no máximo a 25km/h. É o nosso padrão”, disse. Agora a associação almeja uma nova locomotiva a diesel da GM, que tem pouquíssimos exemplares no Brasil. “Vamos aos poucos”, completou Gazetta.

Híbridas

As locomotivas a diesel ou locomotivas híbrida a diesel geralmente puxam vagões de passageiros e combinam um motor a diesel e elétrico, com o objetivo de poupar energia. É mais fácil alterar a velocidade num motor elétrico do que em um mecânico.

Ampliação de trecho deve começar até dezembro

A Prefeitura de Campinas anunciou em julho que vai retomar as obras de extensão da maria-fumaça no trecho de Campinas — entre a Estação Anhumas e a Praça Arautos da Paz — até dezembro. O projeto tem um custo estimado em R$ 5 milhões. O município já garantiu um crédito de R$ 2 milhões do Ministério do Turismo e o restante será financiado pela Administração através do Fundo Municipal de Apoio ao Turismo (Fatur). De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Social e Turismo, atualmente a extensão do trem turístico está em fase de contratação do projeto executivo.

Cecília Polycarpo | Agência Anhanguera

Antiga maria-fumaça volta aos trilhos em Campinas


Restaurada, locomotiva alemã centenária vai entrar em operação no ramal Campinas-Jaguariúna

Maria Fumaça CampinasRogério Verzignasse | DA AGÊNCIA ANHANGUERA

Foto de Dominique Torquato/AAN

Uma centenária locomotiva de fabricação alemã será colocada em operação no ramal turístico que liga Campinas a Jaguariúna nos próximos finais de semana. A maria-fumaça integra, desde meados da década de 80, o acervo da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), mas só agora está completamente restaurada.

Peças, que já não existem mais, tiveram de ser fabricadas

A máquina ganhou a mesma pintura—preta, com detalhes vermelhos—que ostentava no começo do século passado, quando corria pelos trilhos da Estrada de Ferro Araraquara (EFA). Depois de quase três décadas encostada nas oficinas, a locomotiva ganha os últimos ajustes para voltar à ativa e a expectativa do grupo é que, até o final de semana, esteja prontinha para os passeios.

A locomotiva foi fabricada em 1912 pela A. Borsig, em Berlim, e adquirida pela companhia estadual, que na época administrava a linha que cruzava poderosas fazendas cafeeiras das regiões de Araraquara e São José do Rio Preto. A maria-fumaça alemã batizada com o número 9 circulou até a década de 50, época em que os vagões de carga já perdiam muito espaço para os charmosos carros de passageiros. A locomotiva, então, foi vendida e passou a ser usada em ramal férreo de uma fazenda até, obsoleta, ser definitivamente “aposentada”. A máquina foi então adquirida pela União e colocada à disposição da APBF para restauro.

No último dia 9, os funcionários e voluntários da associação festejaram muito o fim da reforma, que consumiu anos e anos de trabalho. Na falta de peças para reposição no mercado — e como nem todas podiam ser encontradas em equipamentos desativados —, os operários tiveram de fabricar novas. “A restauração de uma locomotiva a vapor exige empenho artesanal”, diz Hélio Gazeta Filho, diretor da associação. O trem chegou a deixar a oficina e circular, mas a equipe técnica constatou um vazamento nos tubos de controle de pressão, o que exigiu nova intervenção.

Homenagem
Os serviços de acabamento atraem para as oficinas da Estação Carlos Gomes, na zona rural de Campinas, entusiastas como o arquiteto Dênis Esteves, de 34 anos, morador de Ribeirão Preto. Membro da associação, ele conta que acompanhou, passo a passo, a reforma da locomotiva. Como voluntário, ele sempre se ofereceu para executar projetos de restauro de estações. Por conta própria, mergulhou em livros e documentos antigos para explicar o funcionamento da máquina movida a vapor. Mostra as toras de madeira amontoadas sobre o tanque d’água, mostra a fornalha, explica a função dos canos, alavancas e mancais.

A máquina alemã, fala, é especial. O arquiteto mostra a placa metálica afixada no tambor, que leva o nome do maquinista João Baptista, que chegou a operá-la na época em que era funcionário da EFA. Nos anos 80, aposentado, ele se tornou membro da ABPF e, até morrer, acompanhou cada etapa de restauro da máquina.

“A história do maquinista reflete o empenho de cada funcionário, de cada voluntário da ABPF. Não fosse a associação, o patrimônio ferroviário estaria condenado a virar sucata”, afirma.

Passeios turísticos

Linhas turísticas de trem que passam por locais históricos serão retomadas.


Uma viagem a rotas do Brasil Império, a cidades envolvidas na Guerra do Contestado, ao passado da cana-de-açúcar e, além disso, a possibilidade de trafegar em uma ponte férrea em curva.

Após décadas de inércia, projetos que contam com a iniciativa privada, prefeituras, órgãos federais e entidades de preservação da memória ferroviária preveem a retomada de linhas turísticas em nove locais, de seis Estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O trecho mais recente a receber autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para oferecer o transporte ferroviário de passageiros foi o de Guararema-Luiz Carlos, de 5,5 km e operado pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) em São Paulo.

Uma maria-fumaça e três vagões, que levarão até 130 passageiros, foram reformados por R$ 1,1 milhão e devem começar a funcionar até o fim do ano, segundo Hélio Gazetta Filho, diretor da ABPF.

Além dele, São Paulo tem outros, em São José do Rio Preto e Sertãozinho. Em Rio Preto, o Trem Caipira chegou a operar há um ano, mas parou e está em fase de análise de documentação. Já no projeto de Sertãozinho, a rota vai da estação ferroviária a Pontal, num trecho de 10 km em meio a extensos canaviais.

Mapa Trem Turístico

 No Rio, a Oscip Amigos do Trem deve abrir em setembro uma linha de 4,5 km, após mais de 20 anos sem ferrovias. A longo prazo, o plano é chegar a 44 km até Paraíba do Sul, num trecho que inclui uma ponte em curva.

“É o primeiro projeto de sucesso de trem turístico no interior. E Barão de Mauá começou isso no Rio. Temos de reativar linhas para mostrar que há potencial turístico e de cargas”, diz Paulo Henrique do Nascimento, presidente da entidade.

Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, inaugurou a Estrada de Ferro Mauá em 1854. Os trilhos estão sendo recolocados -os antigos foram furtados- e o valor total chega a R$ 2,5 milhões.

Presidente da Abottc (Associação Brasileira dos Operadores de Trens Turísticos e Culturais), Adonai Aires de Arruda Filho disse que, para a retomada do transporte, são feitos estudos de viabilidade econômica e operacional.

DA ÉPOCA DO IMPÉRIO

É nesta fase que está a linha Estrela-Guaporé, no Rio Grande do Sul, em que a empresa em que Arruda Filho é diretor, a Serra Verde, tem interesse. “No caso de Estrela, já há a via, por onde passa trem de carga, que tem demanda baixa”, explica.

Os estudos são feitos pela associação em parceria com o Sebrae. Outro é o Rio Pardo-Cachoeira do Sul (RS). A Oscip Movimento Civil de Preservação Ferroviária chegou a receber verba de R$ 1,2 milhão da União, mas devolveu por não usá-la a tempo. Falta, segundo o presidente Mauro Back, a contrapartida de R$ 360 mil, para contratar funcionários, buscar locomotivas em outras cidades e reformar vagões.

“Já temos estações e contratos de cessão. A fase lúdica está pronta.” Quando operar, percorrerá 38 km em locais existentes desde o período imperial (século 19).

Em União da Vitória (PR), uma das cidades envolvidas na Guerra do Contestado (1912-1916), a rota de 6,5 km vai até Porto União (SC) –são vizinhas, separadas justamente por um trecho ferroviário. Para circular, os municípios aguardam liberação para reformar a locomotiva, que tem 101 anos.

Em Poços de Caldas (MG), a expectativa é que a maria-fumaça e três vagões operem até 2016. O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) autorizou o remanejamento de trilhos para reconstruir a linha.

O Ministério do Turismo informou ter destinado, nos últimos 13 anos, R$ 22 milhões para recuperar estações, implantar trens turísticos e melhorar trechos ferroviários de 27 cidades.

Maria Fumaça - Zago

Maria-fumaça na estação de Jaguariúna, no Vale do Paraíba, um dos novos trechos turísticos Vanderlei A. Zago/ABPF Regional Campinas/Divulgação

 LOCOMOTIVA CENTENÁRIA

Após quase 30 anos de restauro, uma locomotiva centenária de fabricação alemã deverá ser colocada em operação na linha de Campinas a Jaguariúna, no interior paulista.

Operado pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, o trecho turístico de 24,5 km já tem outras cinco locomotivas e 15 vagões, que se revezam na rota ferroviária sempre nos fins de semana.

“Recebemos a maria-fumaça no final dos anos 1980 e, devagar, fomos conseguindo reformar”, afirmou Hélio Gazetta Filho, diretor da ABPF.

Originária da antiga Estrada de Ferro Araraquara, a locomotiva foi uma das recebidas por comodato do acervo das antigas Fepasa e RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.). “Como não há nada no mercado, temos de fazer tudo artesanalmente.”

Além dessa locomotiva, a ABPF tem em seu acervo máquinas das antigas companhias Paulista e Mogiana. Não há compatibilidade de peças entre os trens, o que torna o trabalho de restauro mais lento.

O passeio parte da estação Anhumas, em Campinas, e tem como destino o centro de Jaguariúna. O ingresso custa R$ 80 (inteira). O trajeto tem duração de três horas e meia.

Fonte: UOL.com.br

ANTT autoriza trem turístico na estação Guararema-Luiz Carlos (SP)


Estação GuararemaA Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou, no Diário Oficial da União de ontem (5/5), a autorização da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) para prestação de serviço de transporte ferroviário de passageiros, com finalidade turística e cultural.

A empresa irá operar no trecho entre as estações de Guararema e Luiz Carlos (SP), ferrovia com extensão de 5,5 quilômetros. A ABPF fica submetida às normas do serviço de transporte ferroviário de passageiros e à Resolução nº 359/2003, que dispõe sobre os procedimentos relativos ao transporte ferroviário de passageiros com finalidade turística, histórico-cultural e comemorativa.

Fonte: ANTT // ABIFER

Trem do Vinho vira cenário para filme com Selton Mello


Trem histórico é cenário de filme na Serra Gaúcha (foto: Divulgação)

Trem histórico é cenário de filme na Serra Gaúcha (foto: Divulgação)

A atriz catarinense Bruna Linzmeyer está no elenco do “O filme da minha vida“, que começou a ser filmado na serra gaúcha, região de Bento Gonçalves. Dirigido por Selton Mello, que também atua no longa metragem, as gravações começaram na estação da Maria Fumaça, em Garibaldi, e em um dos vagões do trem que faz o tradicional passeio cultural da região das uvas e vinhos. A estação, assim como o vagão foram adaptados para voltar aos anos 1960, época do filme. Depois das filmagens, que seguem até o final de maio, o vagão restaurado será incorporado ao passeio de Maria Fumaça.

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Estação de trem centenária será restaurada em Castro, no Paraná


Prédio está comprometido pela ação do tempo (Foto: Divulgação/Prefeitura)

Prédio está comprometido pela ação do tempo (Foto: Divulgação/Prefeitura)

Reforma do prédio, que está fechado há seis anos, custará R$ 289,4 mil.
Prefeitura de Castro vai usar estação de trem para projetos turísticos.

Do G1 PR

A Prefeitura de Castro, na região dos Campos Gerais do Paraná, confirmou nesta sexta-feira (17) que a estação de trem do município será restaurada. O prédio foi inaugurado em 1899 e tombado como patrimônio cultural do Paraná em 2000.

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Bens ferroviários cedidos pelo DNIT viabilizam projetos turísticos


Foto meramente ilustrativa

Foto meramente ilustrativa

Com a cessão de bens ferroviários pelo DNIT, avançam as obras de revitalização da ferrovia no município de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, para a implantação de um trem turístico. A cessão é uma das destinações dos bens da antiga Rede Ferroviária Federal – RFFSA realizadas pelo DNIT, órgão responsável pelos bens que não foram arrendados às concessionárias que exploram economicamente as ferrovias.

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